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30 de agosto de 2010

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O pavoroso destino de Eliza Samudio

10 de julho de 2010

 

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Embora ainda não inteiramente desvendado, o Caso Bruno já tem o seu lugar garantido nos anais jurídicos brasileiros como um dos crimes mais covardes e brutais de que um ser humano já fora vítima. Completamente indefesos, Eliza Samudio e o filho de quatro meses foram sequestrados por conta de uma pensão alimentícia.

 

As torturas físicas e psicológicas a que Eliza foi submetida durante longos três dias só foram interrompidas pelas mãos do carrasco que lhe tirou a vida, fazendo-o talvez mais pelo prazer que pelos míseros reais que teria recebido. Por muito pouco o bebê não é atirado para ser devorado pelas feras, junto com o corpo retalhado de sua mãe.

 

Se confirmada, a série de acusações que aponta o astro de futebol como autor do assassinato da amante revela um monstro pior que o Bandido da Luz Vermelha, Febrônio Índio ou Chico Picadinho.

 

Segundo a defesa, o sangue encontrado no carro que teria sido usado no sequestro pode muito bem ser de um animal. Quanto a isso ninguém tem dúvida. O que queremos saber é de qual destes animais: o ex-goleiro do Flamengo, seu fiel escudeiro ou o menor que confessou estar presente na cena do crime. 

 

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O advogado diz acreditar na inocência dos réus. O psicopata que tem o hábito de cheirar a mão de suas vítimas nem teria sido expulso da polícia. Pelo contrário, teria deixado a corporação repleto de medalhas no peito. Porém, a defesa não deixou que fossem colhidas amostras de DNA que ajudariam nas investigações, alegando que “ninguém é obrigado a fazer prova contra si mesmo”.

 

Ora, sendo os acusados “inocentes”, como eles poderiam ser prejudicados pelos exames, cara-pálida? As amostras poderiam produzir resultados que beneficiá-los-iam, ou que, no máximo, não mudariam a suas atuais condições, enquanto a recusa em cedê-las significa uma admissão de culpa — exceto em nossa legislação penal.

 

Nos Estados Unidos não tem essa de sem-vergonha se recusar a ceder material genético e ficar por isso mesmo, o que nesta semana possibilitou à polícia de Los Angeles identificar, indiretamente, um serial killer procurado desde 1985.

 

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No direito civil, na ação investigatória, a recusa do suposto pai a submeter-se a exame pode gerar presunção de paternidade. A interpretação desfavorável ao réu que resiste à produção de prova, sumulada pelo STJ em 2004, virou lei há um ano (Lei 12.004, que alterou a 8.560) e decorre dos artigos 231 e 232, do Código Civil:

Art. 231. Aquele que se nega a submeter-se a exame médico necessário não poderá aproveitar-se de sua recusa. Art. 232. A recusa à perícia médica ordenada pelo juiz poderá suprir a prova que se pretendia obter com o exame.

 

Mas o direito brasileiro insiste em criar empecilhos que favorecem a escória. Aqui, até o ar expirado pelo infrator merece proteção constitucional.

 

Embora seja possível a aplicação de sanções administrativas, como apreensão do veículo, o motorista embriagado que não deixa medir o seu grau de alcoolemia escapa da prisão em flagrante, o que limita a eficácia da lei que visa a reduzir o número de mortes nas rodovias.

 

Assim que veio a Lei Seca o renomado doutrinador Luiz Flavio Gomes (o LFG), especializado em ciências criminais, escreveu um artigo afirmando que obrigar alguém a soprar o bafômetro seria obrigá-lo a se autoincriminar: 

 (…) Ninguém está obrigado a fazer prova contra si mesmo. O sujeito não está obrigado a ceder seu corpo ou parte dele para fazer prova, ou seja, não está obrigado a ceder sangue ou a soprar o bafômetro.

 

Na ocasião, perguntei qual “parte do corpo” o cidadão estaria cedendo ao simplesmente soprar o aparelho. “O cidadão está expelindo o ar que está dentro do corpo. Neste ar está a prova que ele não está obrigado a fazer”, respondeu o jurista.

  

 

manoel@patoshoje.com.br

 

PROCON intensifica fiscalização nos bancos

7 de julho de 2010

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    Como faz em todo início de mês, José Carlos vai ao banco pagar suas contas. Tendo ainda muitos outros compromissos ele acaba desistindo depois de enfrentar uma fila por mais de meia hora. Volta no dia seguinte, apenas para se deparar com uma fila ainda maior. Confere várias vezes seu relógio com impaciência e, devido à demora, sai novamente sem ser atendido.

A história seria igual à de milhares de outras vítimas do descaso dos bancos em todo o país se não fosse pelo inusitado desfecho: ao voltar ao seu local de trabalho José Carlos recebe um telefonema do gerente da agência, que fora alertado por outro funcionário, preocupado com o ocorrido. Bastante solícito, o gerente queria saber de que José Carlos estava precisando, se ele poderia ajudá-lo, ser útil em alguma coisa etc.

O motivo do tratamento especial? José Carlos é o responsável pelo Procon estadual, um dos órgãos do Ministério Público Estadual integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), que fiscaliza a atividade bancária nas relações de consumo.

“Vocês só estão me ligando porque sou promotor de Justiça, quero ver vocês terem a mesma preocupação com todo cidadão que diariamente é desrespeitado na sua agência”, respondeu ao seu interlocutor, e transferiu a conta para outra instituição.

José Carlos diz que o consumidor deve exercer sua cidadania dando preferência aos bons prestadores de serviço, de modo que os maus sejam excluídos do mercado caso não endireitem sua postura.

O Procon está preparando uma lista na qual apontará os bancos de Patos de Minas e região que mais desrespeitam os usuários atualmente os bancos públicos: Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil e aqueles que mais cumprem a legislação que regulamenta a relação de consumo. A lista deverá incluir outros segmentos, como postos de combustíveis e supermercados.

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No ano passado, o Procon havia autuado essas e outras agências na forma da Lei Municipal 5.768/06 (a Lei dos 15 Minutos), mas devido a um pedido acatado pelo tribunal a eficácia dessa lei está suspensa, até uma decisão definitiva. Os bancos alegam que o funcionamento dos bancos não é de competência legislativa do município. A afirmação é embasada na Súmula 19, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cujo enunciado afirma:

A FIXAÇÃO DO HORÁRIO BANCÁRIO, PARA ATENDIMENTO AO PÚBLICO, É DA COMPETÊNCIA DA UNIÃO.


De acordo com o advogado Ivan Gomes Caetano, Secretário-Geral do Sindicato dos Bancários, o HORÁRIO PARA ATENDIMENTO referido na súmula de fato é estabelecido pelo Banco Central, mas diz respeito ao expediente (mínimo de cinco horas diárias ininterruptas, obrigatório no período de 12h a 15h). Não se confunde com o TEMPO DE ATENDIMENTO, matéria que não é atinente às atividades-fim das instituições bancárias.

“O Supremo já pacificou o entendimento de que os municípios são competentes para legislar sobre assuntos de interesse local e de proteção ao consumidor, nestes se enquadrando o tempo máximo para atendimento ao público”, completa Ivan.

O pedido de suspensão da lei municipal, porém, foi um tiro que saiu pela culatra — o Procon refez os procedimentos com base em um formulário que compreende um feixe legislativo muito mais extenso, como a legislação estadual, cujo limite de 15 minutos para atendimento é improrrogável, mesmo nos dias de pico, e inclui o autoatendimento eletrônico. As agências da Caixa e do Banco do Brasil já foram autuadas.

Caso os banqueiros interponham outro recurso especial com a mesma causa de pedir, isto é, argumentando que somente normas federais teriam atribuição para tratar de atendimento bancário, a lei estadual também poderá ficar suspensa.

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Entretanto, os trabalhos de fiscalização nos bancos não se restringem à verificação do tempo de espera nas filas. Abrangem outros aspectos previstos nas leis municipais, estaduais e federais, e até em normas infralegais, tais como resoluções e portarias baixadas pelo próprio Procon e pelo Banco Central, regulamentando a acessibilidade para as pessoas portadoras de necessidades especiais, o direito à informação e à segurança nas agências e o acesso aos canais normais de atendimento.

O Banco do Brasil foi multado em R$ 17.943,53 pelas restrições que vem impondo aos clientes desde maio do ano passado (leia mais AQUI).

José Carlos não conta com nenhum fiscal exclusivamente devotado às atividades do Procon, mas está litigando administrativamente para estruturar o órgão e planeja ações mais intensivas. “Se o Procurador-Geral de Justiça atender nossas reivindicações, nós vamos incomodar muito os bancos no segundo semestre”, afirma o promotor..

manoel@patoshoje.com.br

 

Proposta indecente

26 de junho de 2010

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Sempre que está no centro de algum escândalo (como o ditabrandagate e as HQs pornográficas, para citar os mais recentes), a Folha de S.Paulo convoca um verdadeiro estafe para “administrar” a crise, que inclui o departamento comercial e até o ombudsman (leia-se “ombídismã”), um canal de comunicação, supostamente independente, entre o jornal e seus leitores. O cargo surgiu no país na esteira de campanhas memoráveis da Folha, graças ao apelo publicitário que a novidade tinha na época (1989).

Escolhido dentre os empregados de confiança da casa, com o perfil para assumir uma função mais burocrática que jornalística, o ombudsman da Folha continua exercendo principalmente a função para o qual foi criado o de promover o jornal. Porém, na medida em que se esgotava a exploração de seu ineditismo e em que passava o entusiasmo inicial, seu papel e sua utilidade foram ampliados.

Em carta aberta ao sr. presidente da República, publicada na primeira página da histórica edição de 25 de abril de 1991, Otavinho, editor da Folha, dá uma amostra de como o ocupante do cargo é usado politicamente em defesa do seu empregador:

Não deixa de ser curioso que esteja sendo levada a julgamento, sob o silêncio acovardado e interesseiro de quase toda a mídia, a única publicação brasileira que mantém uma seção diária de retificações e que remunera um de seus profissionais pela exclusiva missão de criticar pública e asperamente as suas próprias edições.

Como se a simples nomeação de ombudsmen, e o “Erramos”, implicassem dispensa de controle externo, mais ou menos a mesma lógica que pauta o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar). Além de as avaliações enviadas pelos leitores serem importantes para a definição de estratégias do Grupo, o ombudsman, valendo-se do status de “representante dos leitores”, é usado para apaziguar os ânimos e estancar, em caso de emergências, a evasão de assinantes.

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Quando liguei para o serviço de atendimento e informei que queria cancelar minha assinatura fui questionado sobre o motivo. Respondi que foi a matéria “O sexo como ele (não) é”, publicada na “Ilustrada” no último sábado, dia em que circula a Folhinha e, imediatamente, a ligação foi transferida para uma profissional especialmente treinada para contornar tal situação. Adivinhem a quem esta, após me pedir desculpas pelo acontecido, indicou que eu recorresse?

“Concordo com o senhor, a matéria não deveria ter sido publicada, principalmente considerando que o caderno incluía a ‘Folhinha’, e a responsabilidade está sendo investigada pela Direção do jornal”, disse a nova atendente. Perguntei o que a Folha faria para corrigir o erro e ela disse que eu poderia enviar uma carta para ser publicada no “Painel dos Leitores”, e também escrever para a ombudsman, “que tratará do assunto no domingo” (amanhã, 27/6). A atendente me ofereceu, ainda, trinta dias de jornal, “de cortesia”.

Declinei da oferta indecorosa, mas solicitei que a mesma fosse formulada por escrito, e com o timbre da Folha, para testar a boa-fé da empresa. Como era de se esperar, fui informado de que isso não seria possível. Também me foi negado o pedido de que não fossem enviados mais exemplares, os quais já estavam pagos, e concluímos o cancelamento.

O fato de o jornal admitir o erro e se desculpar já é alguma coisa, porém não o suficiente para a reparação do dano. Além disso, em um ato-falho a atendente se referiu à reportagem como “propaganda”, indicando que, afinal, a divulgação do material editado pela Peixe Grande talvez não tenha sido tão gratuita assim.

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Quem recebeu o jornal e se sentiu ofendido pode acionar o Judiciário, com fundamento no Código de Defesa do Consumidor e no Estatuto da Criança e do Adolescente. Disponibilizaremos o modelo da ação, gratuitamente, ao leitor que solicitá-lo via email.


manoel@patoshoje.com.br

Folha depravada

19 de junho de 2010

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Leitores da Folha de S.Paulo com o mínimo de preocupação em evitar que os filhos sejam expostos a conteúdos impróprios tiveram, neste sábado, uma surpresa extremamente desagradável. Na capa da Ilustrada, caderno no qual vem encartado o suplemento infantil “Folhinha”, o jornal estampava “quadrinhos” com homens e mulheres de genitália exposta, em cenas que o bom senso não permite que sejam inteiramente reproduzidas neste espaço (não pense que a tarja na imagem acima foi uma providência da Folha).

No interior do caderno, uma página inteira dedicada a “sexo espacial, defloramento, gays e transa animal”, com ilustrações ainda mais explícitas, inclusive um casal praticando felaçãototalizando nove figuras , acompanhadas de termos e expressões obscenos, igualmente impublicáveis, salvo em impressos do gênero.

Quando de trata de fesceninos, porém, somos avisados da temática e temos a liberdade de  não adquiri-los. Muito diferente de um produto que se supõe destinado a transmitir informações de interesse público e ao qual toda a família tem acesso.

O jornal chegou primeiro às mãos de minha filha, de oito anos. Antes de retirar o encarte de seu interesse, provavelmente teve acesso ao material em questão, mas não tivemos coragem de perguntar a ela. Enojada, minha esposa decidiu não admitir a Folha em casa nunca mais, dizendo ter vergonha de termos assinado “isto” algum dia. “Liga para esses vagabundos agora e fala pra eles que se amanhã mandarem o jornal eu boto fogo!”, revoltou-se, completamente transtornada com o incidente.

Há muito bloqueamos a busca de imagens pela internete, utilizada para trabalhos escolares, pois as palavras mais inocentes, quando digitadas no Google, quase sempre resultam em pornografia. Mesmo tendo o cuidado de não deixar as crianças assistirem à TV aberta sem a nossa companhia, insinuações de sexo e cenas  de violência surgem, de repente, nas programações mais insuspeitadas, ou durante os intervalos.

Não faz muito tempo, a Globo exibiu “A Lagoa Azul” na Sessão da Tarde, e em DVDs cuja censura é livre eles dão um jeito de inserir trailers de filmes para adultos, com os apelativos de sempre.

Depois, quando surgem nas escolas problemas como as “pulseiras do sexo” a mesma mídia se mostra escandalizada, como se não tivesse nada a ver com a iniciação sexual precoce, fomentada em novelas, em autedores de grifes, em propagandas de bebida etc.

Agora, sob o pretexto de divulgar o lançamento de uma coletânea de livros, o maior jornal do país, gratuitamente, expõe leitores menores a imagens e textos inadequados para essa faixa etária, ultrapassando todos os limites da vulgaridade e da falta de respeito. Além de cancelar a assinatura do jornal, na segunda-feira farei o que todo cidadão responsável deveria fazer: encaminhar o material ao Ministério Público para que atos criminosos como esse não fiquem impunes.


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Com a morte de José de Sousa Saramago a literatura portuguesa perde um de seus expoentes mais expressivos — não apenas da atualidade. A paráfrase que dá vida a uma gravura sobre a crucificação de Cristo (do renascentista alemão Albrecht Dürer) é uma amostra disso. Foi-se o homem, mas fica seu legado imortal.

Embora fosse ateu declarado, Deus é tema frequente em sua filosofia. “As pessoas têm necessidade de acreditar em algo que as transcendem e que vai mais além, que é uma forma de tratar de equilibrar os desastres do mundo”, teria dito o escritor. Quem sabe a morte revelar-se-lhe-á tal como a marca registrada da sua obra: em vez de o ponto-final, uma vírgula?


manoel@patoshoje.com.br


Crime e castigo

11 de junho de 2010

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Um dos indiciados pelo roubo de cerca de R$ 1 milhão em duas agências bancárias de São Gotardo em janeiro de 2007 prestará depoimento hoje (11/6) no fórum daquela comarca. Márcio Carmo Pimentel, 30, seria o último dos líderes a ser capturado e chegou às 8h45, algemado, com os pés acorrentados. Antes dele, quatorze testemunhas deverão ser ouvidas. Muitas foram ameaçadas pela facção criminosa e pediram para que suas imagens não fossem divulgadas.

Desde que foi preso, em novembro do ano passado, em Góias, Pimentel se encontra detido no presídio de Alta Contagem, em Belo Horizonte, à disposição da Justiça. Ele é acusado de dois latrocínios, quinze sequestros, sete furtos, dez delitos de dano material, disparos de arma de fogo e formação de quadrilha.

Doze indivíduos foram identificados e oito, julgados e condenados. As penas aplicadas totalizam 692,25 anos de prisão. Reincidente, um dos réus foi sentenciado a 109,25 anos. A esposa de um dos assaltantes capturados foi condenada a 4 anos. Graças aos benefícios processuais, já cumpriu a pena e está em liberdade. Os demais pegaram, individualmente, 97,16 anos de prisão, somente pela ação em São Gotardo.

Ainda não foi possível identificar o autor do disparo que tirou a vida do cabo Vandec, pai de duas filhas. Surpreendido na rodovia, por quem dava cobertura ao assalto em curso no centro da cidade, ele nem ao menos havia sacado da arma.

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Simultaneamente  aos assaltos nas agências do Itaú e do Banco do Brasil em São Gotardo, outros membros da quadrilha agiam em Brasilândia de Minas. A ação foi repetida em outras partes do país, como Riachinho e São Romão. Três integrantes ainda se encontram foragidos e um foi morto numa tentativa de assalto a um carro-forte, no Espírito Santo.

Pimentel chegaria ao aeroporto de São Gotardo às 5h30 da manhã de hoje, no avião da Secretaria de Justiça Estadual, mas no horário marcado a aeronave não apareceu. Aparentemente, problemas técnicos impediram a decolagem,  forçando uma mudança nos planos, o que foi mantido em sigilo. Nem a escolta que o aguardava no aeroporto foi informada de que chegariam por via terrestre, em um comboio da Subseção de Administração Prisional (SUAPI), responsável pelo transporte. Outro grupo, o COPE (Comando de Operações Especiais), faz trabalho preventivo, abordando, identificando e revistando suspeitos  — entre os quais este colunista  — em pontos estratégicos na cidade.

O número exato de agentes (alguns à paisana e em veículos sem personalização) não pôde ser divulgado por motivo de segurança, mas cerca de oitenta policiais civis e militares e agentes penitenciários foram mobilizados e continuarão em seus postos madrugada adentro, até o final da operação. Como na audiência anterior, além de efetivos de  Belo Horizonte e São Gotardo, foram enviados reforços de Patos de Minas, Carmo do Paranaíba e Presidente Olegário, para garantir a ordem e a segurança locais e evitar que o preso seja resgatado em nova e ousada investida.

manoel@patoshoje.com.br

Cenas finais de LOST ‘vazaram’ um mês antes na internete

1 de junho de 2010

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Após trinta dias, os documentos divulgados pela revista eletrônica “Gawker” em 23 de abril se revelaram verdadeiros. As fichas de produção de LOST (erroneamente identificadas pelos principais veículos de comunicação como páginas de “ROTEIRO”) foram encontradas em um restaurante no Havaí estado americano usado como cenário para a série.

Todas as cenas na caverna, com Desmond, Hurley, Ben, Jack e “Locke”, e fragmentos referentes ao duelo entre estes últimos, são descritos exatamente como visto no último capítulo da novela. Os papéis contendo um dos segredos mais bem guardados do mundo teriam sido esquecidos por membro(s) da equipe no mesmo dia em que as cenas foram gravadas.

Na época, a autenticidade dos documentos foi confirmada pela rede de televisão ABC, mas logo não se tocou mais no assunto, provavelmente porque se acreditava que foram deixados de propósito (hipótese que não pode ser totalmente descartada) e contivessem pistas falsas para confundir os fãs e dar publicidade ao programa.


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Recente manchete do Patos Hoje é um bom exemplo de como a ordem dos termos pode prejudicar o sentido de uma frase:

PM PRENDE CASAL ACUSADO DE COMETER VÁRIOS ASSALTOS DURANTE A MADRUGADA

Os assaltos eram cometidos durante a madrugada ou esse é o horário em que o casal fora preso?  Na segunda hipótese, a manchete deveria ser “Casal acusado de cometer vários assaltos é preso pela PM durante a madrugada”.

Já no primeiro parágrafo fica esclarecido que a prisão foi efetuada no período da tarde, mas o ideal é que a informação inequívoca chegue ao leitor desde o título, evitando-se ambiguidades. Note que a manchete ainda dá margem a um terceiro entendimento: o de que o casal foi acusado durante a madrugada.

Portanto, a frase “PRESO PELA PM CASAL ACUSADO DE COMETER, DURANTE A MADRUGADA, VÁRIOS ASSALTOS”, embora menos espontânea, é uma alternativa mais exata.

 

 

manoel@patoshoje.com.br


A luz no fim do túnel

30 de maio de 2010

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Logo após a exibição do 121º episódio (“The End”), entrei na internete para me inteirar das últimas notícias sobre LOST. O que havia sido revelado sobre a misteriosa ilha, que fim tivera seus habitantes (ou passageiros)? O arquivo para download só estaria disponível dois dias depois, tempo que eu não estava disposto a esperar, mas caso você não queira conhecer o final agora melhor interromper a leitura neste parágrafo.

Muita lágrima e pouca explicação marcaram o último capítulo e muitos fãs continuam sem entender o final da série.

Numa das páginas indicadas por um leitor, os “comentários iniciais” postados às três da manhã para os internautas de plantão, era evidente a satisfação da autora. Essas primeiras revelações, porém, surtiram em mim o efeito de um enorme balde de água fria.

Uma das primeiras hipóteses era a do “purgatório” (junto a outras que diziam que a humanidade foi extinta ou que era tudo uma alucinação ou que era um projeto científico). Venceu a primeira alternativa (…). Quem acreditou nessa hipótese durante toda a duração da série deve estar com um grande sorriso no rosto [sic] até agora.

“Enquanto tentávamos explicar os flashsideways pelo mundo da física, os produtores estavam escrevendo uma história inteiramente baseada na fé”, prosseguia o texto.

Atônita, uma internauta pergunta alhures: “Eles estão mortos?”. A resposta foi um lacônico “Sim, estão”. Uma saída lamentavelmente pífia para o que prometia o programa mais cult dos últimos tempos.

Foi difícil engolir que todos estivessem numa espécie de sonho coletivo, onde tudo acontece sem a necessidade de lógica ou de sentido. Daí porque ninguém conseguira unir todas as peças: elas não teriam sido feitas para se encaixarem mesmo.

Fios de esperança surgiam quando me deparava com outras interpretações. Mas no mesmo dia o Estadão publica uma matéria que, embora confusa, confirmava as informações anteriores:

A câmera mostrava dezenas de adultos com lágrimas nos olhos [sic], paralisados, com as cenas finais. Minutos antes, eles souberam que todos os personagens haviam morrido. Ou pelo menos todos os supostos sobreviventes do vôo da Oceanic. Não ficou claro. Jack certamente morreu. (…) Fica claro que o personagem morreu, assim como, aparentemente, os outros que estavam no avião que caiu na ilha.

(…) A versão paralela de Lost, onde eles nunca teriam ido parar na ilha e se conheceram nos EUA, seria uma espécie de purgatório para todos irem juntos para a outra vida. Ben, por outro lado, não entrou na igreja e tampouco estava no avião. Não ficou claro se morreu, se em algum momento esteve vivo ou o que ele era realmente.

Assim é que comecei a ver o final tendo em mente que todos estavam mortos desde a queda do avião, e o sorriso e a cara de bobo das personagens, na medida em que se “lembravam” umas das outras, ficavam cada vez mais irritantes. Até que os eventos tomam novo rumo nos minutos finais, quando  o Dr. Shepard, o pai, revela que os acontecimentos da ilha foram reais. Eles não morreram no acidente, o que o jornal não deixara claro, assim como se equivocou ao divulgar que “não existiu ficção científica”.

O público, de um modo geral, ainda não assimilou muito do que foi explicado, e continua esperando por respostas que já foram dadas: o significado dos números, o motivo de terem sobrevivido à queda e o porquê de Locke voltar a andar. Pior: continuam chamando de “realidade paralela” o que não é paralela, como adiantei na véspera (Contagem regresiva) ao comentar o déjà-vu das personagens, nem é realidade.

Outras respostas ficaram implícitas. Por exemplo, a mãe adotiva dos gêmeos os escolheu para substituí-la antes mesmo do acidente que os trouxe à ilha, ainda no ventre, assim como Jacob fez com seus candidatos. Praticamente, as últimas explicações que os produtores tinham a dar sobre os enigmas das temporadas anteriores foram as disponibilizadas no antepenúltimo capítulo, “Across the sea” (Do outro lado do mar), no qual conhecemos o chamado “coração da iIlha”.

Talvez os prometidos extras dos DVDs da temporada tragam mais respostas. Enquanto outras permanecerão abertas à leitura de cada espectador. Quem, ou o quê, construiu os templos, a estátua gigante de Taweret e o mecanismo que move a ilha no espaço e no tempo? O que é a luz que deve ser protegida? Para mim, ela é o portal para outros mundos, fonte da eternidade, representada na cultura egípcia pela cruz Ansata, símbolo recorrente na série.

O brilhante desfecho surpreendeu positivamente, superando minhas expectativas. Jack se deparar com um caixão vazio, depois se reunir com os amigos semelhante à cena final de “Titanic”, quando Rose reencontra Jack e todas as vítimas do naufrágio no interior do navio, foi a parte mais emocionante da série, deixando em segundo plano os vários erros e as lacunas não preenchidas.

Como Sayid ressuscitou se o Richard, quando viu o novo Locke, dissera que isso nunca aconteceu na ilha? Ele desconhecia as propriedades da água do poço no templo? Como Desmond se lembrou de que estava no segundo voo 815? Bom, ele viaja no tempo, mas onde eles estavam não havia “tempo”, certo? Por que Jacob, ao contrário do irmão, não pode ver nem ouvir o espírito de sua mãe biológica? Como Sawyer pretendia impedir que o homem de preto embarcasse no submarino depois que Jack o jogasse na água? Se houve uma parte que explica como isso anularia seus poderes, eu a perdi. Os erros e contradições não comprometem totalmente a qualidade do programa e, enfim, nem mesmo a obra de Shakespeare é isenta de imperfeições.

Quanto aos mistérios não resolvidos, eles são condizentes com o final, em que todos morreram também sem conhecer as respostas que procuramos. Isso porque elas não podem ser obtidas em um plano repleto de limitações como o nosso, mas apenas em outra dimensão para depois ser novamente esquecidas, num ciclo de morte e de renascimento. Sem dúvida, a luz que irradia da caverna é a mesma que inunda a igreja tão logo os passageiros ocupam seus lugares, prontos para mais uma partida. Por tudo isso é que LOST será lembrado ainda por muitas gerações.


manoel@patoshoje.com


Contagem regressiva

22 de maio de 2010

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O derradeiro episódio de LOST, que terá duas horas e meia e irá ao ar amanhã, nos EUA e no Reino Unido, foi anunciado pela rede ABC como o capítulo mais aguardado na história da televisão. Mas a série — equivalente americano de nossas novelas — já teve dias melhores.

Entre altos e baixos, a maioria das personagens se transformou em uma pálida sombra do que foram. Sawyer, que já não começara bem, esvaziou-se ainda mais. Apenas Sun (foto) e Jin mantiveram a chama original em todas as temporadas e o final caminha para a seguinte revelação: milhões de espectadores foram levados a assistir a seis anos de “Vanilla Sky” ou “Matrix”.

Os erros no roteiro, que tem mais furos que queijo suíço, são um problema à parte. Só pra citar os mais recentes, um garoto diz não saber o significado da palavra “morte”, mas na cena seguinte é mostrado caçando javalis. E como o duelo dos gêmeos repete a história de Caim e Abel se supostamente nunca poderiam “ferir um ao outro”?

Na reta final, assistimos ao que pode ser uma realidade alternativa, em que o voo 815 aterrissa em Los Angeles em segurança. Como em LOST tudo é (im)possível, o que parece coexistir em dois mundos paralelos pode tratar-se de eventos cronologicamente desajustados, daí porque personagens recordar-se-iam de quem não teriam conhecido e do que não teriam vivenciado. Em ambos os casos, os paradoxos são inevitáveis.

Certamente haverá explicações, místicas, metafísicas e “científicas”, para grande parte dos mistérios remanescentes, cujas respostas permanecem encerradas a sete chaves. Mas o maior segredo não reside numa suposta profundidade de conteúdo, qualidade que nunca atraiu grande público.

Reside, sim, no fato de o universo lostiano ter sido recortado em tantos pedaços, misturando-se meio, início e fim de tal sorte que nenhum espectador em todo o mundo conseguisse juntar todas as peças — ou tivesse pachorra para tentar fazê-lo. A isso, principalmente, é devido o interesse pela série, transformando-a em um fenômeno de marketing, o que não é pouco e tem seu mérito.

O desfecho promete muitas surpresas, mas, na melhor das hipóteses, a atenção dedicada nesses seis anos de exibição terá valido tanto quanto os cento e poucos minutos da adaptação de um conto de Philip K. Dick por Paul Verhoeven.

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Minha filha ficou bastante animada quando soube que na próxima semana ela e seu irmão viriam a Patos para outra sessão de fotos com o Saulo. Ele acabara de reformar o estúdio e também andava mais animado e jovial do que de costume.

Como aceitar e explicar para uma criança o que não podemos entender? Nosso amigo concluíra a faculdade. A filha estudava na Europa, onde encontrar-se-iam em breve. Entre um destino e outro, vidas se acabam e outras perdem o rumo no instante de um flash.

Embora finais assim sejam cada vez mais comuns, não há como nos acostumarmos. A arte de Saulo Alves nos remete à beleza, à sua paixão pela vida, ao desejo de perfeição. Impossível conformá-la com aquelas últimas imagens na rodovia.

manoel@patoshoje.com.br

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19 de abril de 2010

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