Projeto de Leitura que reduz a pena faz sucesso na Penitenciária de Carmo do Paranaíba

Mas hoje, após quase dois meses de leituras e resenhas, a leitura virou uma paixão na ala feminina da unidade prisional.

publicado em 06/11/2019, por Maurício Rocha


Imagem Ilustrativa.

Um projeto de leitura implantado no Complexo Penitenciário de Carmo do Paranaíba tem feito sucesso entre as detentas. Inicialmente, o projeto “Ler Liberta” atraiu o interesse pela possibilidade de remição de pena. Mas hoje, após quase dois meses de leituras e resenhas, a leitura virou uma paixão na ala feminina da unidade prisional.

“Elas sentem um desejo enorme de aprender e fazer descobertas. Em pouco tempo, a ansiedade pela redução da pena transformou-se em algo muito além, uma ânsia por descobrir o mundo”, conta a pedagoga Tânia Maria da Rocha Castro, uma das responsáveis pela implantação do projeto para as detentas do Complexo Penitenciário.

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A pedagoga salientou o apoio do Ministério Público. “Graças aos membros do MP, recebemos doações de livros da comunidade, divulgação do projeto e temos o acompanhamento das atividades”. Ela destaca, principalmente, a atuação da Vara de Execução Criminal da Comarca, pois somente o juiz pode autorizar a remição, que são quatro dias a menos de pena para cada resenha feita sobre o livro escolhido pela detenta.

Foram arrecadados cerca de 500 livros de literatura, autoajuda e outros gêneros. Os volumes encontram-se no Ministério Público e estão à disposição das leitoras do projeto. O diretor-geral do complexo penitenciário de Carmo do Paranaíba, Rodrigo Lucas de Borba, considera o Projeto “Ler Liberta” uma oportunidade importante no processo de ressocialização. “Somado aos benefícios das leituras, contamos também com a ajuda da comunidade, do Ministério Público e do Judiciário”, reforça Borba.

Funcionamento 

Além da obrigatoriedade de redigir uma resenha, com no mínimo 60% de aproveitamento, as detentas precisam participar de conversas com voluntários do projeto, professores da rede pública e servidores da penitenciária, para trocar ideias sobre as leituras e receberem orientações para a produção do trabalho. Essas atividades acontecem em uma sala multiuso, construída com verbas doadas pelo Poder Judiciário.

Laila Talita Teixeira Martins, 32 anos, é uma das 18 presas integrantes do projeto, e está perto de concluir a leitura do segundo livro, “Garra de Campeão”, de Marcus Rey. A obra tem inspirado a detenta a sonhar e lutar pelos sonhos. “O personagem principal do livro fez isto e também quero. Obtive sucesso no Encceja e agora vou me preparar para o Enem, pois vou estudar Direito”, revela.

Autor: Maurício Rocha Postado em 06/11/2019
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7 comentários

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  • Professor | 1 mês, 1 semana atrás

    Tem que colocar e para trabalhar para a sociedade e não ficar lendo gibi, pelo amor de Deus quem inventa umas coisas dessas e mais bandido do que estão por lá.

    25 17 Responder

    Marcos - 1 mês, 1 semana atrás

    A real finalidade da cadeia è resocializar entao nada mais q justo esse projeto, se existisse mais tanias com certeza teria pessoas melhores.Estudo è a melhor forma de tirar a pessoa da bandidagem.

    21 20

    Professor - 1 mês, 1 semana atrás

    Bandido só estudar para aprender uma maneira melhor de ganhar vantagem na sociedade que mundo você vive?.

    7 11

  • Observador | 1 mês, 1 semana atrás

    Tânia Rocha os meus mais sinceros agradecimentos a vc por ser essa Pessoa boa q consegue enchergar algo de bom nas pessoas parabéns por mais pessoas como a Tânia diretora. Segue o exemplo da Tania e ajude a ao invez de so reclamar

    17 6 Responder

  • Na Real | 1 mês, 1 semana atrás

    Lembram daqueles castigos que os professores passavam para molecada, nos primórdios do ensino, quando o "Professor", era autoridade máxima, dentro de uma sala de aula... pois é, basta fazer do mesmo jeito! Coloque eles para escrever: "DEVO RESPEITAR AS LEIS DO MEU PAÍS, O MEU PRÓXIMO, AS PROPRIEDADES PARTICULARES E AS PUBLICAS"; um milhão de vezes, talvez assim eles aprendam alguma coisa! A detenta já quer fazer "Direito Criminal", deve ser para libertar os "Parças", como faz hoje o "SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL"!!!

    10 7 Responder

  • J | 1 mês, 1 semana atrás

    Coloca pra capinar sob sol quente 8h por dia sem folga que nunca mais vão cometer crime

    9 4 Responder

  • Gato por Lebre | 1 mês, 1 semana atrás

    Ficar encarcerada 24 horas/dia em uma cela superlotada, sem fazer nada, qualquer atividade é muito bem vinda principalmente ler ou assistir televisão. Não é a leitura virou uma paixão, foi a redução da pena que virou paixão...!

    8 4 Responder