Presidente do TJMG, Nelson Missias, inaugura ampliação da Apac em Patos de Minas

Foi dia de muitas homenagens aos representantes da Justiça e recuperandos que participaram da obra.

publicado em 26/06/2020, por Farley Rocha


A inauguração aconteceu nesta quinta- feira (25/06).

Perto de encerrar uma gestão que entra para a história, o presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, desembargador Nelson Missias de Morais, inaugurou nesta quinta- feira (25/06) o segundo anexo para recuperandos na Associação de Proteção ao Condenado (Apac) de Patos de Minas, cidade do Alto Paranaíba, a 400 km de Belo Horizonte.  

O fato de ser um apaqueano assumido e de ter sido criado na cidade desde pequeno foram ingredientes que levaram muita emoção ao evento, que ocorre a poucos dias do encerramento de sua gestão à frente da Corte Mineira. 

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O novo Centro de Reintegração Social Doutor Mário Ottoboni, em Patos de Minas, foi ampliado em tempo recorde e agora tem capacidade para abrigar até 130 recuperandos. As obras foram feitas com a participação dos usuários da Apac.

Recuperandos que participaram da obra ganharam um quadro em que foram chamados de "Os Valentes de Davi do Século XXI"

A cerimônia foi marcada pela emoção e por várias homenagens, não apenas ao presidente Nelson Missias, mas a todos que de forma direta ou indireta lutaram para a melhoria do sistema prisional na região, enfrentando dificuldades homéricas. Os recuperandos que paticiparam da construção do anexo foram homenageados com um quadro que ficará exposto no local. O quadro contém uma foto da turma com a citação: “Os valentes de Davi do Século XXI”.

Participaram da solenidade o presidente Nelson Missias de Morais, acompanhados dos desembargadores do TJMG, André Amorim Siqueira, Maria Inês Souza e Paula Cunha e Silva; o juiz auxiliar da presidência e coordenador do Programa Novos Rumos, Luiz Carlos Rezende e Santos: a presidente da Apac de Patos de Minas, Maria Abadia Garcia Vecchi; o diretor da Comarca de Patos de Minas, juiz José Humberto da Silveira; a juíza da Vara de Execuções Penais de Patos de Minas, Solange de Borga Reimberg; o juiz da Comarca de Patos de Minas, Melchiades Fortes da Silva Filho; o promotor de Execuções Penais de Patos de Minas, Paulo Henrique Delicole; o presidente da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (Fbac), Valdeci Antônio Ferreira e várips representantes dos poderes executivo, legislativo e judiciário da cidade. 

Havia também muitos voluntários e os próprios recuperandos da Apac de Patos compareceram em peso. O evento foi restrito por causa das restrições sanitárias impostas pela Covid-19. Todos foram obrigados a usar máscara e muito álcool em gel.

Perseverar

Presidente Nelson Missias de Morais: "Sei que vocês passaram por momentos difíceis mas foram perseverantes e conseguiram"

O presidente Nelson Missias de Morais deu um tom poético em seu discurso e lamentou não poder visitar o pai e a mãe, que moram na cidade, em função das restrições impostas pela covid-19. “Mas fiz questão de vir até aqui. Vir até a minha terra, onde eu não nasci, mas para onde vim quando ainda era um bebê”, conta o presidente, emocionado, mas demonstrando ainda ter muito fôlego na maratona de inaugurações de fóruns, com as devidas homenagens que recebe no final do seu exitoso mandato.

Ele lembra que as obras de ampliação do segundo anexo foram feitas em tempo recorde devido à urgência e situação precária dos recuperandos, que necessitavam de um espaço maior para continuar a executar os vários trabalhos desenvolvidos na Apac de Patos de Minas. “Sei que vocês passaram por momentos difíceis quando o caminho mais próximo era o da desistência, mas vocês foram perseverantes e conseguiram”, lembrou o presidente.

O presidente, falando aos recuperandos, lembrou que “o começo é para todos, mas o recomeço só pertence aos fortes e aos grandes. Quem cometeu um deslize na vida tem que ter a chance de se recuperar, pois ninguém é irrecuperável”.

Valorização humana

O coordenador do Programa Novos Rumos e juiz auxiliar da presidência, Luiz Carlos Rezende Santos lembrou que há 45 dias esteve na Apac para tomar decisões fundamentais para a conclusão da obra. Ele agradeceu a todos os envolvidos no processo de ampliação e lembrou do empenho de cada um para que o cronograma fosse cumprido. “Daqui de Patos de Minas eu levo a gratidão”, resumiu o magistrado.

A juíza da Vara de Execuções Penais de Patos de Minas, Solange de Borga Reimberg, ressaltou a importância da inauguração do novo anexo da Apac de Patos de Minas. Ela destacou que o método Apac representa todos os pilares da justiça restaurativa. “Me sinto honrada em compartilhar este momento com grandes profissionais do Direito, como o juiz Melchiades, o presidente Messias e o promotor de justiça, que segue a linha de valorização humana, que é o doutor Delicole”, comentou emocionada.

O promotor Paulo Henrique Delicole, um assíduo envolvido no dia a dia da Apac, lembrou da seriedade do programa Novos Rumos na execução penal em Patos de Minas. “É um enorme desafio trabalhar com uma causa carregada de preconceitos. Mas respeitamos quem pensa diferente”, observou o promotor, que agradeceu o empenho dos membros do Tribunal de Justiça na ampliação da associação e, principalmente, no apoio à causa apaqueana.

Pastoral carcerária

Maria Abadia Vecchi, presidente da Apac de Patos de Minas, lembrou a trajetória da associação, onde todos trabalham, estudam e se capacitam para a vida lá fora

A presidente da Apac de Patos de Minas, Maria Abadia Vecchi, em seu discurso fez um breve histórico da Apac. No início da década de 80, voluntárias da pastoral carcerária decidiram dar sequência às ideias do precursor das Apacs, Mário Ottoboni.

Em 1983 elas criaram a Apac em Patos de Minas que, de lá até agora, passou várias dificuldades e estagnação, até chegar no início do ano abrigando em torno de 60 recuperandos. Com o novo anexo, a Apac de Patos, de acordo com Maria Abadia, passa a ter capacidade de abrigar até 130 recuperandos.

Todos que cumprem pena na Apac participam de trabalhos diversos como fabricação de pães, horta comunitária, serralheria, marcenaria, mão de obra em escolas e creches, fábrica de pré-moldados. Também estudam, participando de cursos de ensino superior a distância.   

Maria Abadia frisa que a reincidência penal dos apaqueanos não ultrapassa os 15%. No sistema prisional comum ultrapassa a casa dos 70%.

Homenagens

Hoje foi dia de muitas homenagens, com a entrega de placas e até com o canto de uma pequena artista, Vitória Ribeiro

O presidente Nelson Missias foi homenageado ao ceder seu nome ao Núcleto Profissionalizante da Apac, que passa a se chamar Desembargador Nelson Missias de Morais. O presidente também foi homenageado pelo presidente da Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados (Fbac), Valdeci Antôno Ferreira, que lhe entregou a Comenda Ordem do Mérito Penitenciário.

O juiz Melchiades Fortes, que sempre se empenhou pelo fortalecimento da Apac local, foi homenageado e cedeu seu nome ao novo Núcleo Educacional da entidade. Melchiades ainda foi homenageado pelo promotor Paulo Henrique Delicole, que por sua vez ouviu uma música dedicada a ele e cantada por Vitória Ribeiro. O promotor tem participação efetiva na Apac e é muito querido entre os recuperandos.

Lucas Nunes, falando em nome de todos, agradeceu àqueles que se envolvem com a causa apaqueana
O recuperando Anísio Soares entregou uma placa que homenageia as pioneiras da Apac em Patos de Minas, representadas por Maria Terezinha Alves Ambrósio. “Eu estou sonhando. Batalhei e confiei na recuperação do ser humano e hoje estou muito feliz, principalmente por ter acreditado na Apac”, comentou emocionada.

O recuperando e presidente do Conselho de Sinceridade e Solidariedade da Apac de Patos de Minas, Lucas Nunes, discursou em nome dos colegas, e agradeceu a todos que se envolveram na causa apaqueana e ampliação do local.

Fonte: Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom- TJMG

Imagens atualizado em 26/06/2020 • 7 fotos

Autor: Farley Rocha Postado em 26/06/2020
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7 comentários

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  • “Ser” humano | 1 semana, 2 dias atrás

    Parabéns a todos que trabalham para o crescimento da APAC. Como já foi citado, é uma causa cheia de preconceitos, quem luta por essa causa merece todo o meu respeito. E para as pessoas que dizem que adultos não tem recuperação, que não tem como recuperar pessoas que cometeram crimes, que a personalidade e o caráter só são formados na infância e depois disso é permanente tenho perguntas: vocês são os mesmos desde a infância? Nunca mudaram de atitude ou de opinião após conhecer coisas novas? Todos nós humanos cometemos erros, uns mais outros menos, e muitas vezes permanecemos no erro por muito tempo até que nos é apresentado outro caminho, é só então conseguimos enxergar claramente que devemos e podemos mudar. A APAC dá aos recuperando a oportunidade de conhecer outros caminhos e com certeza a maioria das pessoas que cometeram crimes saem de lá verdadeiramente recuperados. Isso é bom para o recuperando e para toda a sociedade.

    2 0 Responder

  • Luluzinha | 1 semana, 4 dias atrás

    Belo trabalho que o Dr. Paulo Henrique Delicoli e a diretoria da APAC fazem. Acreditar na ressocialização é um ato nobre e que merece todo o nosso respeito

    11 2 Responder

  • Ze | 1 semana, 4 dias atrás

    Ridículo. Só vemos ações e políticas públicas voltadas aos condenados, como se essas pessoas fossem prioridade, em detrimento inclusive das vítimas. Temos que valorizar, em verdade, as pessoas de bem, principalmente aquelas que, mesmo sem dispor de recursos financeiros, não escolheram o crime como seu sustento. Não temos políticas públicas de assistência às vítimas de crimes. Sequer os condenados são obrigados a indenizar suas vítimas. Não cabe ao Estado educar pessoa adulta. Não existe a figura do reeducando. As pessoas são educadas e formam sua personalidade e caráter na infância. Depois de adultas é tarde demais e simplesmente não vale o esforço.

    10 11 Responder

  • Justiça | 1 semana, 4 dias atrás

    Eu não conheço nenhum bandido que realmente largou a vida do crime . Eles So fingem ser DO bem principalmente esses que viram crentes evangélicos esses são os piores uma vez bandido sempre bandido . Lugar de bandido é na cadeia E nó cemitério

    31 39 Responder

    Playboy - 1 semana, 4 dias atrás

    Você merece um troféu.

    14 18

    Renascimento - 1 semana, 3 dias atrás

    Respeito sua opinião, mas eu mesmo sou prova viva que todo homem é maior que seu erro. Passei pelo presídio, pela APAC e há vários meses estou em liberdade, trabalhando honestamente e nem me passa pela cabeça cometer crime, tem pessoas que realmente nunca irão melhorar, mas tem aqueles que ressocializam de verdade. Hoje vivemos um momento crítico e vemos que existe muito ainda a ser melhorado, geralmente as pessoas que mais precisam de mudança nunca cometeram um crime, mas causa um mal infinitamente maior. Repense seus conceitos. Obrigado!

    11 0

  • observador | 1 semana, 4 dias atrás

    Aproveito o espaço para homenagear a saudosa sra. Eunir Alves Moreira de Faria, grande incentivadora e lutadora pelos ideais da Apac. Batalhou muito pela Apac de Patos de Minas, tanto na sua concepção como também divulgando a necessidade dessa instituição e suas carências. Meus aplausos a ela, e também a todos que tornaram a Apac em realidade.

    22 5 Responder