Análise mostra que estilo de Bolsonaro produz incerteza e eleva protagonismo do Congresso

"Bolsonaro tem governado com foco nas redes sociais e com acenos popularescos"

publicado em 07/06/2019,


 

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A rejeição pelo presidente Jair Bolsonaro à política tradicional e seu consequente modus operandi com o Legislativo deverá ser um gerador de incertezas nos próximos anos, ao mesmo tempo que tende a aumentar o poder de agenda do Congresso.

Segundo analistas ouvidos pela Reuters, a escolha do presidente de dobrar a aposta no discurso que lhe deu a vitória eleitoral no ano passado tem potencial para seguir provocando episódios de tensão e até crises com o Parlamento, apesar de acenos pontuais —ao menos até agora sem consequências concretas— do presidente em direção ao Legislativo.

“Nos anos de Bolsonaro nós vamos ter uma relação que alterna maior ou menor proximidade de agenda entre os Poderes”, disse à Reuters o analista da Tendências Consultoria Rafael Cortez, que avalia que os projetos enviados pelo governo tendem a ser aprovados cada vez mais com a marca do Legislativo.

“O poder do Executivo de trazer uma agenda mais próxima às suas preferências é menor. Isso deve ser a marca de todo o mandato, com episódios de crise, fruto dessa retórica mais tosca, dessa contaminação entre agendas que aparece aqui e acolá”, acrescentou.

Assim como fez na campanha, Bolsonaro tem governado com foco nas redes sociais e com acenos popularescos, como contato frequente com simpatizantes, uso de camisas de times de futebol em eventos oficiais e, mais recentemente, uma caminhada a pé para o Congresso, mantendo sempre em evidência o discurso anti-sistema e contra o que chama de “velha política”.

Este modelo tem gerado turbulência, principalmente no Congresso que, depois de bate-bocas públicos com o Planalto, anunciou recentemente que se descolará do Executivo e terá sua agenda própria, inclusive em temas prioritários para o Planalto, como as reformas tributária e da Previdência.

Mais que isso, o Parlamento tem aprovado matérias como a Proposta de Emenda à Constituição que amplia o Orçamento impositivo —e diminui a margem orçamentária do Executivo— e a PEC que altera os prazos de tramitação de medidas provisórias —e aumenta o número de etapas em que uma MP pode caducar.

Propostas enviadas pelo Executivo também já perderam validade ou têm sido aprovadas no limite do prazo. O próximo desafio será a votação de um crédito extra de 248,9 bilhões de reais, sem o qual o governo ou interrompe o pagamento de programas —como Bolsa Família e Plano Safra— ou viola a chamada regra de ouro, o que implicaria em crime de responsabilidade passível de impeachment.

“Qual o grande resultado desse processo? Num primeiro momento é uma imprevisibilidade quase insuportável do que vai acontecer no Congresso, do que vai acontecer em Brasília”, disse o cientista político da Capital Político Leonardo Barreto.

“Isso para o mercado, isso para a agenda econômica, é uma coisa muito ruim. E está forçando um processo de adaptação institucional entre os Poderes”, avaliou.

Barreto, por outro lado, aponta que o maior protagonismo dá ao Legislativo “uma grande oportunidade de restabelecer o nível de relação com a sociedade”.

“Agora, você tem um conjunto de parlamentares muito grande que não entende o jogo se não for da maneira que era jogado antes. Esses não conseguem mudar a chave e nem querem mudar a chave.”

GOVERNO DE MINORIA

Em meio ao cenário de chuvas e trovoadas, Bolsonaro tem adotado em alguns momentos discurso dúbio em relação aos demais Poderes —no modelo morde e assopra— e, na visão de analistas foi beneficiado por manifestações de rua realizadas em 26 de maio em apoio à sua gestão e a projetos de seu governo, como a reforma previdenciária e o pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro.

“Se construiu uma percepção, em paralelo, de que o governo estava isolado de maneira muito precoce. E isso se mostrou não verdadeiro com as manifestações de apoio ao governo”, disse o cientista político da Universidade Católica de Brasília Creomar de Souza.

Para ele, os atritos recentes decorrem de Bolsonaro. Embora tenha deixado claro que não jogará com as regras vigentes até então, o presidente ainda não conseguiu comunicar aos parlamentares em que bases se dará a nova relação.

Logo após os atos favoráveis a ele, Bolsonaro realizou um café da manhã com os presidentes da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Ficou acertado que os chefes de Poderes trabalhariam na assinatura de um pacto —anteriormente já aventado por Toffoli— em favor do país.

Ainda não está claro se este pacto irá adiante, após ressalvas feitas por Maia, mas se ele não avançar, não será o primeiro aceno do presidente à classe política que carece de efeitos concretos. No início de abril, por exemplo, Bolsonaro recebeu vários presidentes e líderes de partidos e ventilou-se a criação de um conselho político, o que até agora não ocorreu.

“O presidente tem uma narrativa e é a narrativa da pedra no sapato, de que ele foi eleito para ser a pedra no sapato do sistema político, que ele não abriria mão dessa disposição, disse Barreto.

“O presidente Bolsonaro não tem uma base parlamentar não porque ele seja atrapalhado. Ele não tem uma base parlamentar porque ele não quer ter uma base parlamentar”, acrescentou.

Este cenário, no entanto, não é suficiente para soar alarmes sobre a continuidade do governo, apontaram os analistas.

“Me parece que é um governo de minoria”, disse Cortez, da Tendências. “Acho que a gente também tem que evitar alarmismos em face a que o governo não construiu uma coalizão. Isso gera efeitos negativos em termos de governabilidade, mas não necessariamente vai resultar na paralisia decisória por conta de ser um governo de minoria. Governos de minoria existem.”

Fonte: Reuters

Postado em 07/06/2019
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9 comentários

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  • Bichão | 3 meses, 1 semana atrás

    Toda mudança gera uma bagunça primeiro, toda vez que se muda de casa tira-se tudo da casa para levar para outrs, aí vai descobrindo muita sujeira atrás dos móveis e muita coisa desnecessária que foi acumulando com o tempo e descarta, limpa-se todos os móveis, lava toda a roupa suja e depois de um certo tempo finalmente se organiza tudo na nova casa, essa transição para um novo modo de governar está descartando muita coisa desnecessária acumulada pelo velho sistema, quando terminar a mudança para o novo sistema tudo vai se ajeitar, mas precisamos de tempo e perseverança. Tenham paciência

    2 1 Responder

    Forasteiro - 3 meses, 1 semana atrás

    Haja paciência com politicagem da não . .Muda só trocar os atores cervergonhisse e a mesma ...todo político tá de olho só no seu próprio umbigo e mais nada ...projeto deles e de poder e não de nação ...Por isto que tem fazer reforma política pra hoje ...Este negócio povo ficar mantendo político 30 anos no poder sair fora ...

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    Riala Mafon - 3 meses, 1 semana atrás

    Bichão------------A sua metáfora não se aplica a esse Governo. Gostaria que vc me explicasse qual é o Programa do Atual Governo, os Planos de Metas. Tudo está sendo feito por atalhos, se ele visita os EUA alguma coisa ele tem que presentear os yankes. Se ele for para o Chile da mesma forma. Ele foi recentemente à Argentina, chega ele dizendo que vai fundar com os argentinos uma nova moeda. Dessa viagem que ele fez à Argentina, de positivo foi somente apoiar o Macri fazendo com seja eleito o candidato Peronista. Tudo improvisado, foi a Israel, e chegou trazendo a solução para a seca no Nordeste e a compra de filtros de Israel. Ele é um Midas às avessas, tudo que ele toca vira excremento, acabou com a pequena chance de reeleição do "Liberalóide" do Macri. Veja, desde quarta feira se realiza em São Petersburgo na Rússia, um encontro das principais nações do mundo declarando o fim do dólar como moeda de referência. A China e a Rússia vão criar sua própria moeda, lá nasce um novo mundo, e o Bolsonaro e o Macri sonhando pobremente em criar o Peso Real ( Peso Morto). China e Rússia fazem um pacto de trocas de tecnologias lá nasce um Novo Mundo e o Bolsonaro nem sabe disso. Falta ao Bolsonaro visão , tino , credibilidade, falta uma mente Política nele---falta um Presidente.

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  • Na real | 3 meses, 1 semana atrás

    Quando os políticos, voltarem a ser pessoas publicas, com certeza, teremos um pais melhor; mas enquanto eles se portarem como os maiores ladrões do dinheiro publico, enquanto legislarem para o seu próprio bolso, não passaram de pessoas que tem que se esconder com as partes intimas!

    1 1 Responder

  • Povo corrupto, políticos corruptos | 3 meses, 2 semanas atrás

    Tudo que desejam é manter o clientelismo "toma lá dá cá". Querem um indivíduo que seja sedentário (barrigudo como a maioria dos parlamentares), cachaceiro e que mantém as estatais empanturradas de políticos nomeados para garantirem a propina e manutenção no Congresso. O Lula é corintiano fanático e ninguém o criticou inclusive quando presenteou o seu time com o estádio Itaquerão. Agora o atual presidente não pode vestir a camisa de qualquer time e nem fazer caminhadas. Vai ter que ficar barrigudo e cachaceiro. Haja paciência com tanta hipocrisia...!!!

    1 1 Responder

    Debochador - 3 meses, 2 semanas atrás

    Companheiro, eu até podia concordar com vc se tirar o estádio Corintiano fora e vc colocar um Presidente na República, desse jeito não pode assim não dá.

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  • cidadã | 3 meses, 2 semanas atrás

    que analise? a de vocês? nossa vocês vivem num mundo que só existe na cabeça de vocês! estou vendo a "incerteza... tudo fluindo, países e empresas investindo em nosso país! vcs vivem na venezuela?

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    Forasteiro - 3 meses, 2 semanas atrás

    Nao onde tá este investimento ...falta saúde ..desemprego só aumentado...só piora ..

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  • Debochador | 3 meses, 2 semanas atrás

    Então o Toffoli elaborou um Pacto Político ? Isso não é papel para um Ministro do STF, por isso, ontem eles avalizaram a Idiocracia do Bolsonaro para privatizar tudo e vão sobrar as taiobas do Fio e o pau da Bandeira.

    0 0 Responder