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Folha depravada

sábado, 19 de junho de 2010

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Leitores da Folha de S.Paulo com o mínimo de preocupação em evitar que os filhos sejam expostos a conteúdos impróprios tiveram, neste sábado, uma surpresa extremamente desagradável. Na capa da Ilustrada, caderno no qual vem encartado o suplemento infantil “Folhinha”, o jornal estampava “quadrinhos” com homens e mulheres de genitália exposta, em cenas que o bom senso não permite que sejam inteiramente reproduzidas neste espaço (não pense que a tarja na imagem acima foi uma providência da Folha).

No interior do caderno, uma página inteira dedicada a “sexo espacial, defloramento, gays e transa animal”, com ilustrações ainda mais explícitas, inclusive um casal praticando felaçãototalizando nove figuras , acompanhadas de termos e expressões obscenos, igualmente impublicáveis, salvo em impressos do gênero.

Quando de trata de fesceninos, porém, somos avisados da temática e temos a liberdade de  não adquiri-los. Muito diferente de um produto que se supõe destinado a transmitir informações de interesse público e ao qual toda a família tem acesso.

O jornal chegou primeiro às mãos de minha filha, de oito anos. Antes de retirar o encarte de seu interesse, provavelmente teve acesso ao material em questão, mas não tivemos coragem de perguntar a ela. Enojada, minha esposa decidiu não admitir a Folha em casa nunca mais, dizendo ter vergonha de termos assinado “isto” algum dia. “Liga para esses vagabundos agora e fala pra eles que se amanhã mandarem o jornal eu boto fogo!”, revoltou-se, completamente transtornada com o incidente.

Há muito bloqueamos a busca de imagens pela internete, utilizada para trabalhos escolares, pois as palavras mais inocentes, quando digitadas no Google, quase sempre resultam em pornografia. Mesmo tendo o cuidado de não deixar as crianças assistirem à TV aberta sem a nossa companhia, insinuações de sexo e cenas  de violência surgem, de repente, nas programações mais insuspeitadas, ou durante os intervalos.

Não faz muito tempo, a Globo exibiu “A Lagoa Azul” na Sessão da Tarde, e em DVDs cuja censura é livre eles dão um jeito de inserir trailers de filmes para adultos, com os apelativos de sempre.

Depois, quando surgem nas escolas problemas como as “pulseiras do sexo” a mesma mídia se mostra escandalizada, como se não tivesse nada a ver com a iniciação sexual precoce, fomentada em novelas, em autedores de grifes, em propagandas de bebida etc.

Agora, sob o pretexto de divulgar o lançamento de uma coletânea de livros, o maior jornal do país, gratuitamente, expõe leitores menores a imagens e textos inadequados para essa faixa etária, ultrapassando todos os limites da vulgaridade e da falta de respeito. Além de cancelar a assinatura do jornal, na segunda-feira farei o que todo cidadão responsável deveria fazer: encaminhar o material ao Ministério Público para que atos criminosos como esse não fiquem impunes.


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Com a morte de José de Sousa Saramago a literatura portuguesa perde um de seus expoentes mais expressivos — não apenas da atualidade. A paráfrase que dá vida a uma gravura sobre a crucificação de Cristo (do renascentista alemão Albrecht Dürer) é uma amostra disso. Foi-se o homem, mas fica seu legado imortal.

Embora fosse ateu declarado, Deus é tema frequente em sua filosofia. “As pessoas têm necessidade de acreditar em algo que as transcendem e que vai mais além, que é uma forma de tratar de equilibrar os desastres do mundo”, teria dito o escritor. Quem sabe a morte revelar-se-lhe-á tal como a marca registrada da sua obra: em vez de o ponto-final, uma vírgula?


manoel@patoshoje.com.br


Abre-te, Sésamo!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

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Puffing ― a hipérbole (o exagero) na publicidade ― é uma técnica legítima para fixação de uma mensagem, desde que as características atribuídas aos produtos ou serviços apresentados sejam verdadeiras.

Contudo, nem sempre o que você compra ou contrata corresponde àquilo que eles anunciam.

Na campanha de lançamento da caixinha do leite longa vida Cemil afirmava-se que o dispositivo de abertura do produto era muito mais prático que o método tradicional (faca ou tesoura), do qual continuo me valendo, até por considerá-lo mais higiênico.

Não sei se o problema era com o picote do lacre ou com o material utilizado, mas o fato é que eu não conseguia abrir a caixinha com a mesma facilidade que era mostrada na televisão. Tampouco encontrei alguém que pudesse fazê-lo ― pelo contrário: descobri pessoas que não conseguiam abri-la de jeito algum (ao menos, não sem destruí-la antes). Será que a tampinha utilizada na publicidade é diferente? Ou o Edu Guedes toma leite com anabolizantes?


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Antes e depois dos desfiles de lingerie no programa de Luciana Gimenez, na Rede TV, dou uma espionada no Show do Milhão Jequiti, do SBT, uma das mais profícuas fontes de gafes da televisão brasileira.

Certa feita, foi questionado ao candidato o nome do filme cujo personagem usava uma máscara de hóquei. Comentando a questão, Silvio Santos disse achar que a resposta fosse O FANTASMA DA ÓPERA, lamentando não haver tal opção entre as quatro alternativas.

Tudo bem o apresentador nunca ter ouvido falar de Jason, personagem da série Sexta-feira 13, mas, convenhamos, o que a máscara usada pelo protagonista da obra máxima de Gaston Leroux tem a ver com HÓQUEI?!

Em outro equívoco tosco, o participante tinha de apontar entre quatro personagens de Walt Disney aquele que “foi criado sem som de voz”. Resposta: Pluto. A produção quis dizer FALA em lugar de “voz”, pois Pluto não é capaz de falar como o Pateta, apesar de ambos pertencerem à família dos canídeos. Mas é óbvio que Pluto pode emitir vozes, como latir, uivar, balsar, rosnar e ganir.

Dicionários trazem até um adendo intitulado VOZES DOS ANIMAIS. O Houaiss, por exemplo, registra vinte e duas vozes para o cachorro (na verdade, são catorze. O dicionário repetiu oito, apenas mudando a forma infinitiva para o particípio).

Sem falar que em praticamente todas as perguntas há erros de português. Será que a “TV dos Milionários” não tem dinheiro para contratar ao menos um professor de português?

Já quando se afirma que “o Canal de Suez se liga ao Mar Vermelho com o Mar Mediterrâneo” difícil saber se o problema é maior com o português ou com a geografia. O correto é que o Mar Vermelho e o Mediterrâneo são ligados pelo Canal de Suez, não este ao Mar Vermelho com o Mediterrâneo.

O telespectador fica sabendo, ainda, que “a tonelada é uma medida de peso”, que “esporádico é o mesmo que habitual” e que no folclóre [sic] brasileiro o boto “é um peixe que vira um bonito rapaz”.

Na verdade, tonelada é uma medida de MASSA (a unidade de peso é NEWTON, nome do formulador da lei da gravitação universal), esporádico é o mesmo que EVENTUAL (habitual é simplesmente um ANTÔNIMO!) e os botos não são peixes ― são MAMÍFEROS da ordem dos cetáceos (como as baleias e os golfinhos).

manoel@patoshoje.com.br

Retirada cinematográfica, regresso idem

sábado, 5 de setembro de 2009

Dois anos e sete meses após protagonizar a audaciosa operação de guerra no assalto a duas agências bancárias em S. Gotardo, em 2007, dois criminosos voltaram ao local do crime, desta vez para comparecer em juízo, acusados de formação de quadrilha, sequestro, latrocínio, dentre vários outros delitos.


Durante o roubo, oito homens uniformizados, possivelmente ligados às Farc, e portando armamento de grosso calibre atiravam para todos os lados, aterrorizando os moradores. Dezenas de reféns, incluindo militares, foram usados como escudo. Um policial foi covardemente assassinado e outros dois ficaram feridos.

Carros de civis e viaturas foram roubados durante a fuga, sendo um bancário obrigado a ficar no capô do veículo que, em alta velocidade e sob chuva, abria caminho para o comboio. Outro perdeu a audição devido ao ruído dos disparos, ficando impossibilitado de voltar ao trabalho após o trauma.

Quatro integrantes já foram julgados e cada um condenado a mais de noventa anos. Embora a legislação estabeleça o limite de trinta anos de prisão, quanto mais elevada a pena menores as chances de o condenado sair em liberdade antes desse prazo.

O MGTV 1ª Edição, na terça-feira, fez a seguinte chamada:

TERMINOU, APÓS VINTE HORAS, O JULGAMENTO DE DOIS HOMENS ACUSADOS DE ASSALTAR DOIS BANCOS E DE MATAR UM POLICIAL EM ARAXÁ.

O policial rodoviário não fora morto em Araxá, mas na saída de S. Gotardo. Além disso, não houve um “julgamento”, e sim uma AUDIÊNCIA, na qual foram ouvidos as testemunhas de acusação, de defesa e, por último, os réus.

Com base em tais depoimentos e nas demais provas juntadas aos autos é que proceder-se-á o julgamento, que só terminará com sentença proferida pelo órgão judicante, condenando-se ou absolvendo-se os réus.

Às pessoas penalmente inimputáveis (incapazes de compreender a ilicitude de seus atos quando os praticaram) são aplicadas medidas de segurança (absolvição imprópria) ou, no caso de menores de 18, as medidas sócio-educativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (Código Penal, arts. 26 e 27).

Foi necessário a mobilização de enorme contingente de policiais de São Gotardo, de Patos de Minas e de Belo Horizonte, onde os indivíduos estavam presos. Diversos atiradores de elite se posicionaram em locais estratégicos. O tipo de aparato bastante dispendioso ao cofres públicos e alvo de críticas da população. O procedimento atende o que determina o Código de Processo Penal (CPP), art. 70: “A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração”.

Ou seja, independentemente de onde forem capturados, criminosos são julgados no local da prática do crime, a menos que haja circunstâncias que justifiquem outra forma. Por exemplo, nos casos de imunidade diplomática (se o crime for praticado por autoridade estrangeira, o processo correrá em seu país de origem) ou de desaforamento:

Art. 427.  Se o interesse da ordem pública o reclamar ou houver dúvida sobre a imparcialidade do júri ou a segurança pessoal do acusado, o Tribunal, a requerimento do Ministério Público, do assistente, do querelante ou do acusado ou mediante representação do juiz competente, poderá determinar o desaforamento do julgamento para outra comarca da mesma região, onde não existam aqueles motivos, preferindo-se as mais próximas.

O desaforamento também poderá ser requerido se o Tribunal do Júri, por excesso de trabalho, não puder dar início às sessões antes de seis meses (art. 428).

A lei 11.900, sancionada em janeiro deste ano, alterou os parágrafos 1o e 2o do artigo 185 do CPP e incluiu outros sete, possibilitando a realização de interrogatórios virtuais (por videoconferência) em casos extremos, como o que marcou a semana em S. Gotardo, em que havia risco à segurança pública, fundada suspeita de que os presos integrassem organização criminosa e pudessem fugir durante o deslocamento.


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A partir da próxima semana o Patos Hoje terá um canal para esclarecimento de questões relativas à legislação brasileira de forma didática. A coluna JUS POPULI, assinada pelo advogado patense Cassio Araújo, será publicada quinzenalmente e os internautas poderão enviar perguntas e sugerir temas.


manoel@patoshoje.com.br

Silvio Santos proclama a independência de Roma

domingo, 19 de julho de 2009
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Foto: Roberto Nemanis/SBT

A volta do Show do Milhão à TV é parte de uma estratégia para alavancar o ibope de “Vende-se um véu de noiva”, de Íris Abravanel, dona do SBT. Durante a novela, são exibidos os códigos com os quais o telespectador poderá concorrer a uma vaga no programa. Para concorrer ao prêmio, é necessário que ele seja sorteado novamente.

Como nas versões anteriores, o programa promete ser um show de estupidez e de desinformação, a começar pelo apresentador, o que em grande parte explica o sucesso de audiência.

No último programa, o candidato a milionário deveria apontar a resposta à pergunta “O PAPA É O BISPO CATÓLICO ROMANO DE QUAL ESTADO?” entre as seguintes alternativas:

1-Nova Iorque

2-Londres

3-Paris

4-Roma

Além de rebaixar o Sumo Pontífice a bispo, a produção julgou correta a opção quatro. Assim, em qualquer das acepções do termo “Estado”, suscita-se a seguinte questão: qual a capital de Roma?

A menos, claro, que considerássemos Roma uma cidade-estado, como Mônaco e a CIDADE DO VATICANO esta, aliás, a resposta correta, que não constava entre as alternativas. Em qualquer caso, porém, a capital italiana permaneceria uma incógnita.

Dos quatro opções, apenas Nova Iorque é nome de um Estado, no sentido de unidade política da república federativa.

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Apesar de ainda não restar “provado” que a ficha de Dilma Rousseff publicada na Folha de S.Paulo seja uma “fraude” e de os críticos teimarem em afirmar o contrário, as tentativas do jornal de minimizar as evidências são mais que suficientes para demonstrar a má-fé do diário paulistano.

Em subtítulo da reportagem “Dilma contrata laudos que negam autenticidade de ficha“, publicada no último dia 28, o jornal destacou:

“PERITOS NÃO SE BASEARAM NO JORNAL IMPRESSO”

Como se fosse melhor se os peritos tivessem avaliado a reprodução da imagem que o jornal teria recebido por email, ou seja, como se pudesse ser tirada qualquer conclusão a partir da cópia de uma cópia!

No último parágrafo da reportagem, a própria Folha diz que nem mesmo o arquivo em que ela se baseou prestar-se-ia a tal análise:

A Folha tem procurado checar a autenticidade da ficha. Foram contatados três peritos de larga experiência na análise de documentos e um especialista em imagens digitais. Todos disseram que teriam dificuldades em emitir um laudo, pois necessitavam do original da ficha, que nunca esteve em poder da reportagem. Disseram que a análise de UMA IMAGEM CONTIDA NUM E-MAIL NÃO SERIA SUFICIENTE PARA IDENTIFICAR UMA EVENTUAL FRAUDE.

Leia-se: um documento recebido por email, sem sequer indicação de data e de origem, ou autenticidade comprovada ou comprovável, não é suficiente para justificar sua divulgação em um veículo sério e que tenha um mínimo de compromisso com a verdade.

manoel@patoshoje.com.br

Anúncio de exposição induz público a erro

domingo, 28 de junho de 2009

 

 

 

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A floresta - 1929 (Tarsila do Amaral)

  

 

Trazida a Patos de Minas pelo Museu Itinerante Rabobank, a exposição “A natureza das pessoas” reúne artistas de várias épocas, estilos e nacionalidades, dentre os quais Portinari, Munch, Van Gogh, Tarsila do Amaral e Monet.

 

Aberto ao público desde o último dia 3 no Pátio Central Shopping, onde permanecerá até 12 de julho, o Museu Itinerante também prestigia artistas locais. A entrada é gratuita.

 

Reproduções de telas, de fotografias e de instalações, divididas em quatro temas, convidam à reflexão sobre a intervenção do homem no meio ambiente. Mas quem leu o anúncio da exposição pode ter tido uma grande decepção ao visitá-la.

 

De acordo com a referida peça, ilustrada por “A primavera”, do pintor italiano Giuseppe Arcimboldo (1527 — 1593), o acervo é composto de “40 OBRAS PERTENCENTES AOS PRINCIPAIS MUSEUS DO MUNDO”, dando a entender que se trata de obras originais, idéia reforçada pela frase “UM PRIVILÉGIO PODER VISITÁ-LAS EM UM ÚNICO LUGAR, BEM PERTINHO DE VOCÊ!”.

 

Convenhamos, a mera possibilidade de estar diante de imagens digitalizadas, coladas em superfícies de plástico, está longe de ser um “privilégio”.

 

A chancela de curadora do Museu de Arte Contemporânea da USP, responsável pelo suposto acervo, completa o equívoco a que o público é induzido.

 

As cópias contêm informações sobre as obras originais, como dimensões e onde podem ser vistas. Sem dúvida, não há intenção por parte dos organizadores de apresentar falsificações de obras de arte, apenas reproduzi-las e divulgá-las.

 

Iniciativa digna de nosso apoio, mas que não justifica a omissão no anúncio de informações explícitas nesse sentido.

 

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Para a identificação dos corpos de passageiros e de tripulantes do Airbus da Air France as buscas foram encerradas ontem —, o Jornal Nacional informou que são utilizadas “amostras de sangue, saliva e fios de cabelo dos parentes de primeiro grau”.

 

Ainda segundo o telejornal, “as amostras são cedidas por pais, filhos e irmãos dos passageiros”, informação que contradiz a anterior: diferentemente do que muitos supõem, irmãos têm entre si parentesco de SEGUNDO GRAU, não de primeiro.

 manoel@patoshoje.com.br

 

Saúde e marketing

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

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A necessidade de conquistar a preferência do consumidor faz com que os produtos quase sempre sigam o modelo ditado pelas marcas líderes e fiquem cada vez mais parecidos entre si. A esse efeito os publicitários dão o nome de ME TOO, um eufemismo para CÓPIA ou MESMICE. Nesse cenário desalentador, inovações são vitais para uma marca destacar-se da concorrência, daí a renovação periódica de rótulos e embalagens, além de investimento em novas tecnologias.

O design de embalagem também deve preocupar-se com segurança e assepsia. Entretanto, muitas vezes a ênfase é dada apenas a aspectos secundários, como ergonomia e aparência. No ano passado, uma cooperativa de laticínios local trouxe da suíça uma embalagem cartonada, supostamente “mais fácil de pegar e servir” e “mais bonita para colocar na mesa”, conforme destacava maciça divulgação midiática.
O lançamento do formato seria ainda ótima oportunidade para a empresa européia testar no Brasil uma “tampa exclusiva, mais fácil de abrir e fechar” - o sistema de abertura chamado CombiLift (foto). A novidade era simplesmente uma versão plástica do já tradicional anel de alumínio das latinhas de cerveja e refrigerante, com um inconveniente extra: não é descartado após o rompimento do lacre e o conteúdo do invólucro, quando entornado, tem contato direto com a face externa da tampinha, exposta a todo tipo de bactérias a que as mercadorias ficam sujeitas após o envase - seja no transporte, seja na estocagem nos pontos-de-venda, seja na despensa do consumidor.

A indústria poderia ter optado por soluções mais simples e eficazes, como tampinhas rosqueadas, ou investido parte dos milhões gastos em campanhas na correta informação sobre os riscos de contaminação, bem como sobre a higienização dos recipientes antes do consumo.

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Menos de 24 horas após o Patos Hoje alertar para o aumento da participação de crianças e adolescentes na comercialização de drogas em Patos de Minas, duas pessoas são atacadas por menores e esfaqueadas na fila do Trenzinho do Papai Noel.

Tanto o uso intenso de crianças pelos traficantes, quanto a barbárie contra o segurança e o policial no dia 20, têm a ver com o critério biológico adotado pela legislação brasileira, que privilegia infratores menores de 18 anos, independentemente de sua capacidade de discernimento. Resultado: a lei, que deveria inibir atos criminosos, acaba por incentivá-los.

manoel@patoshoje.com.br

Choque térmico

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

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A pedido de duas telespectadoras, o apresentador Nelson Araújo, do Globo Rural, foi ao município de Gonçalves, na Serra da Mantiqueira (MG), descobrir os segredos da geléia picante e da pimenta em conserva, iguarias famosas na região. Na etapa final do preparo dessa última, os potes de pimenta são mergulhados em água fervente durante vinte minutos, o que Araújo denominou PASTEURIZAÇÃO:

“Um outro detalhe é a fervura, a pasteurização. A dica é colocar um paninho no fundo do tacho pra servir de calço, evitar que o vidro bata no fundo e se quebre. São vinte minutos de fervura. É pra matar qualquer microorganismo que possa contaminar, azedar, fermentar o produto.”

O processo descoberto no século 19 por Pasteur, químico francês, de fato consiste na eliminação, pela ação do calor, de microorganismos nocivos à saúde. Em seguida há rápido resfriamento, para preservação de propriedades desejáveis, como valores nutricionais e lactobacilos.

Controlada em aparelho próprio, o pasteurizador, a variação de temperatura reduz riscos de contaminação e ainda faz com que os alimentos se mantenham conservados por mais tempo. No sistema UHT as temperaturas são mais elevadas e menor o tempo de exposição, o que aumenta o prazo de validade dos produtos. O leite longa vida atinge até 150°C durante 4 segundos, em média.

A pasteurização é bem diferente do registro feito pelo Globo Rural no programa da semana passada, em que recipientes contendo líquido (cachaça e óleo) são mergulhados em água quente (foto). A esse método chamamos BANHO-MARIA, possivelmente uma referência a Mariae, personagem judia citada por Olimpiodoro, alquimista grego. Ela teria sido a primeira a utilizar essa forma de cozimento.

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O fabricante do jogo mencionado no post de 24/out (”Novo endereço”) admitiu o erro estampado na caixa do tabuleiro, reputando-o “gravíssimo”. A empresa agradeceu nosso interesse na melhoria de seus produtos e assegurou que as embalagens com a foto do Capitólio serão corrigidas tão logo o departamento de marketing seja reestruturado.

manoel@patoshoje.com.br

Lucro acima de tudo

terça-feira, 11 de novembro de 2008

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Após as restrições à propaganda de cerveja anunciadas pelo Conselho de Auto-regulamentação Publicitária (Conar), a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) quer convencer a sociedade de que sua causa é em defesa da “liberdade de expressão” e do direito do consumidor “gostar ou não gostar desta ou daquela publicidade”, “de se informar e de formar a sua opinião”.

Desde quando a proteção à saúde pública virou ato de censura? Ora, é possível fazer a apologia da compra de armas de fogo e do uso de drogas ilícitas seguindo o mesmo “raciocínio”. A distorção é tão desavergonhada que os publicitários chegaram ao ponto de comparar anúncios de cerveja com fabricação de abridores de garrafas:

QUEREM PROIBIR
A PUBLICIDADE
DE CERVEJAS NO BRASIL.

É O MESMO QUE PROIBIREM
A FABRICAÇÃO DE ABRIDORES
DE GARRAFAS NO BRASIL.

Quando voltada para o mal, a “criatividade” parece não ter limites. Nem ao menos é verdade que querem “proibir a publicidade de cervejas”, mas apenas a direcionada ao público jovem ou apelos com conotações sexuais (foto). Um desses anúncios faz referência ao “CARA QUE INVENTOU O SUTIÔ, desconhecendo-se que essa peça do vestuário fora patenteada por uma jovem norte-americana, Mary Jacob.

O que os caras que inventam essas pérolas não dizem é que sua única preocupação é com a conseqüente redução das verbas milionárias que o setor de bebidas alcoólicas destina à publicidade e eles querem continuar lucrando, mesmo que seja às custas de vidas alheias.

Mesmo que para isso seja preciso associar bebidas alcoólicas ao bem-estar e à saúde, e depreciar o público feminino, tratando-o como mero objeto sexual. Ainda que tenham de “provar” que sua atividade é ineficaz para incentivar o consumo desses produtos! Mas se a publicidade não serve para isso, ela serve para quê, então?

Por ocasião do lançamento da Política Nacional sobre o Álcool (PNA), o publicitário Francesc Petit, sócio da DPZ, publicou uma carta no Jornal Folha de S. Paulo defendendo a publicidade de cigarro e álcool (”um santo remédio”). Vale a pena conferir o libelo na íntegra:

Há muitos anos, os publicitários vêm sendo acusados de serem responsáveis por esse vício maldito. Aliás, agora está na moda os políticos pisotearem a classe publicitária proibindo, com todo tipo de pretexto, anúncios com mulheres seminuas, crianças em produtos de adultos, desenho animado para propaganda dirigida aos adultos. Já proibiram a propaganda de cigarros e agora é a vez das bebidas alcoólicas. Alguns anos atrás, participei de um debate no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo a convite do meu grande amigo doutor Paulo Vaz Arruda. No debate, além dos jovens psiquiatras, estavam presentes vários alcoólatras e familiares, todos eles unânimes bebedores de pinga da mais barata que existe, produzida pelos milhares de alambiques clandestinos que existem nos arredores de São Paulo e no resto do Brasil. Nas minhas palestras aos doutores, mostrei que a propaganda não induz ninguém a consumir produtos que façam mal à saúde, pois as bebidas alcoólicas que aparecem na televisão e na mídia impressa são produzidas com todos os cuidados e feitas por especialistas com renome internacional. É só lembrar o debate sobre alcoolismo no Congresso da União Européia, onde não consideravam o vinho uma bebida alcoólica, pois é comprovado que, consumido com moderação, é um santo remédio. É óbvio também que é para proteger um setor importantíssimo para os países produtores de vinho, que tanto prestígio traz para França, Itália, Espanha, entre outros.

A ambição, o cinismo e a falta de escrúpulos não têm fim.

manoel@patoshoje.com.br

Diga não à hipocrisia

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

 

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Em salas de cinema em todo o país, TV e em produtos distribuídos pela União Brasileira de Vídeo (UBV) assistimos à volta de um clássico: “Esse DVD aqui não é aquele que estraga o aparelho não, né?”, pergunta um consumidor. Ao concluir a compra do produto pirateado, recebe o troco em “balas”.

O filme dá seqüência à truculenta campanha mundial que tenta associar simples pais de família a seqüestros, assassinatos, tráfico de armas e de drogas. “O dinheiro que circula na pirataria é o mesmo que circula no crime organizado”, diz o locutor.

Como se o dinheiro que circula na “pirataria” não circulasse entre os grandes fabricantes, que fornecem legalmente a mídia que danificaria nossos aparelhos.

Em outro filme, a Associação de Defesa da Propriedade Industrial (Adepi), afirma que “FILMES PIRATAS TEM IMAGEM RUIM”. E completa: “Mas a sua como pai fica ainda pior. O que você está ensinando para seus filhos?”

Pra começar, o português da campanha não é melhor do que a imagem a que se referem (há erro crasso de concordância no verbo ter). E se a preocupação é com a opção do público por produtos de qualidade inferior, se as cópias forem fiéis ao original então está liberado?!

Por fim, o crime organizado é financiado principalmente por empreendimentos legalizados. Não pelo desempregado que copia DVDs no fundo do quintal. Cópias piratas NÃO DANIFICAM aparelhos. Comprar filmes piratas NÃO É CRIME. E mais: “PIRATARIA” NÃO É CRIME. Tão-somente o objetivo de LUCRO a ela pertinente é crime. Esse pessoal MENTE reiterada e descaradamente! É isso que estão ensinando para os filhos deles?

manoel@patoshoje.com.br

A água de Minas

segunda-feira, 7 de julho de 2008

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O excelente ator Matheus Nachtergaele é o garoto-propaganda da campanha que comemora o quadragésimo aniversário da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais). Em 10 filmes, celebridades e anônimos são convidados a beber da água tratada pela estatal mineira. Logo em seguida, é oferecida água tratada por outra companhia (”ÁGUA QUALQUER”), bebida que invariavelmente provoca o repúdio de todos, a exemplo de Falcão. “Eu não sou cachorro, não!”, declina o cantor.

Afinal, a água da Copasa é boa ou as outras é que são ruins? O sistema de tratamento de água da Copasa, reconhecido internacionalmente, talvez seja de fato o melhor do país, mas para falar bem de seus serviços não precisava denegrir os de outras empresas do setor, principalmente de forma tão agressiva, debochada e de mau gosto.

No spot atualmente no ar, o humorista Geraldo Magela recusa o copo d´água e responde “Sou cego, mas não sou doido”, demonstrando forte preconceito e total falta de consideração pelos portadores de doenças mentais.

Ademais, a menos que a água da Copasa já esteja disponível em garrafas ou galões para venda em outros estados, a campanha parte de uma premissa equivocada: a de que companhias de abastecimento seriam concorrentes diretos e os usuários pudessem optar por esta ou aquela.

manoel@patoshoje.com.br