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PROCON intensifica fiscalização nos bancos

quarta-feira, 7 de julho de 2010

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    Como faz em todo início de mês, José Carlos vai ao banco pagar suas contas. Tendo ainda muitos outros compromissos ele acaba desistindo depois de enfrentar uma fila por mais de meia hora. Volta no dia seguinte, apenas para se deparar com uma fila ainda maior. Confere várias vezes seu relógio com impaciência e, devido à demora, sai novamente sem ser atendido.

A história seria igual à de milhares de outras vítimas do descaso dos bancos em todo o país se não fosse pelo inusitado desfecho: ao voltar ao seu local de trabalho José Carlos recebe um telefonema do gerente da agência, que fora alertado por outro funcionário, preocupado com o ocorrido. Bastante solícito, o gerente queria saber de que José Carlos estava precisando, se ele poderia ajudá-lo, ser útil em alguma coisa etc.

O motivo do tratamento especial? José Carlos é o responsável pelo Procon estadual, um dos órgãos do Ministério Público Estadual integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), que fiscaliza a atividade bancária nas relações de consumo.

“Vocês só estão me ligando porque sou promotor de Justiça, quero ver vocês terem a mesma preocupação com todo cidadão que diariamente é desrespeitado na sua agência”, respondeu ao seu interlocutor, e transferiu a conta para outra instituição.

José Carlos diz que o consumidor deve exercer sua cidadania dando preferência aos bons prestadores de serviço, de modo que os maus sejam excluídos do mercado caso não endireitem sua postura.

O Procon está preparando uma lista na qual apontará os bancos de Patos de Minas e região que mais desrespeitam os usuários atualmente os bancos públicos: Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil e aqueles que mais cumprem a legislação que regulamenta a relação de consumo. A lista deverá incluir outros segmentos, como postos de combustíveis e supermercados.

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No ano passado, o Procon havia autuado essas e outras agências na forma da Lei Municipal 5.768/06 (a Lei dos 15 Minutos), mas devido a um pedido acatado pelo tribunal a eficácia dessa lei está suspensa, até uma decisão definitiva. Os bancos alegam que o funcionamento dos bancos não é de competência legislativa do município. A afirmação é embasada na Súmula 19, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), cujo enunciado afirma:

A FIXAÇÃO DO HORÁRIO BANCÁRIO, PARA ATENDIMENTO AO PÚBLICO, É DA COMPETÊNCIA DA UNIÃO.


De acordo com o advogado Ivan Gomes Caetano, Secretário-Geral do Sindicato dos Bancários, o HORÁRIO PARA ATENDIMENTO referido na súmula de fato é estabelecido pelo Banco Central, mas diz respeito ao expediente (mínimo de cinco horas diárias ininterruptas, obrigatório no período de 12h a 15h). Não se confunde com o TEMPO DE ATENDIMENTO, matéria que não é atinente às atividades-fim das instituições bancárias.

“O Supremo já pacificou o entendimento de que os municípios são competentes para legislar sobre assuntos de interesse local e de proteção ao consumidor, nestes se enquadrando o tempo máximo para atendimento ao público”, completa Ivan.

O pedido de suspensão da lei municipal, porém, foi um tiro que saiu pela culatra — o Procon refez os procedimentos com base em um formulário que compreende um feixe legislativo muito mais extenso, como a legislação estadual, cujo limite de 15 minutos para atendimento é improrrogável, mesmo nos dias de pico, e inclui o autoatendimento eletrônico. As agências da Caixa e do Banco do Brasil já foram autuadas.

Caso os banqueiros interponham outro recurso especial com a mesma causa de pedir, isto é, argumentando que somente normas federais teriam atribuição para tratar de atendimento bancário, a lei estadual também poderá ficar suspensa.

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Entretanto, os trabalhos de fiscalização nos bancos não se restringem à verificação do tempo de espera nas filas. Abrangem outros aspectos previstos nas leis municipais, estaduais e federais, e até em normas infralegais, tais como resoluções e portarias baixadas pelo próprio Procon e pelo Banco Central, regulamentando a acessibilidade para as pessoas portadoras de necessidades especiais, o direito à informação e à segurança nas agências e o acesso aos canais normais de atendimento.

O Banco do Brasil foi multado em R$ 17.943,53 pelas restrições que vem impondo aos clientes desde maio do ano passado (leia mais AQUI).

José Carlos não conta com nenhum fiscal exclusivamente devotado às atividades do Procon, mas está litigando administrativamente para estruturar o órgão e planeja ações mais intensivas. “Se o Procurador-Geral de Justiça atender nossas reivindicações, nós vamos incomodar muito os bancos no segundo semestre”, afirma o promotor..

manoel@patoshoje.com.br

 

Banco “Todo Seu” barra entrada de clientes

quarta-feira, 20 de maio de 2009

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Hoje, fui novamente barrado na entrada de uma agência bancária, desta vez no Banco do Brasil. Ao me dirigir aos guichês no segundo piso para efetuar um depósito, uma funcionária a postos em frente à porta de segurança foi logo me cercando, querendo saber o que eu queria fazer naquele estabelecimento (!). Ao ser informada de minha intenção, avisou que eu teria de usar os caixas eletrônicos.

É assim que o ”Todo Seu” pretende acabar com as constantes filas e escapar de multas: restringindo o acesso de seus clientes.

No local, um cartaz (foto) informava que a partir de agora depósitos em dinheiro de qualquer valor e depósitos em cheques até R$ 10.000,00 só serão aceitos nos terminais de autoatendimento.

Antes de me despachar, a funcionária nem ao menos perguntou se meu depósito seria ou não identificado, embora, de acordo com o comunicado, os caixas estivessem “autorizados” a receber depósitos dessa natureza, além de títulos do próprio banco ― e estes, ainda assim, apenas acima de R$ 3.000,00!

Operações com títulos abaixo desse valor, ou de outro banco, devem ser efetuadas pela internet, em caixas eletrônicos, no Banco do Popular do Brasil e correspondentes bancários (lotéricas).

Segundo o Secretário de Finanças do Sindicato dos Bancários de Patos de Minas e coordenador do Guia do usuário de agências bancárias, Ivan Gomes Caetano, a medida do BB é ilegal pois fere a resolução 3.694, editada pelo Banco Central no último 26 de março, proibindo tal prática:

As intituições financeirasos não podem “RECUSAR OU DIFICULTAR, AOS CLIENTES E USUÁRIOS DE SEUS PRODUTOS E SERVIÇOS, O ACESSO AOS CANAIS DE ATENDIMENTO CONVENCIONAIS, INCLUSIVE GUICHÊS DE CAIXA, MESMO NA HIPÓTESE DE OFERECER ATENDIMENTO ALTERNATIVO OU ELETRÔNICO” (Art. 3º).

“Os bancos públicos, justamente os que deveriam dar o exemplo, são os que mais cometem esse tipo de abuso”, lamentou o Secretário, lembrando que, sempre que se sentirem prejudicados, os usuários podem procurar as entidades relacionadas no Guia (pág. 27). Clique AQUI para acessar a íntegra do manual.

manoel@patoshoje.com.br

Consumidor patense ganha nova arma contra abusos

domingo, 10 de maio de 2009

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Um banco “todo seu”, em anúncio comemorativo do 15 de março ― Dia Mundial dos Direitos do Consumidor  ― se diz comprometido “a enxergar todo cliente ou futuro cliente, antes de tudo, como cidadão”. Enquanto isso, em sua agência local os clientes ficam amontoados à espera de atendimento. Um cenário deplorável e totalmente diferente daquele que as propagandas mostram. Responsabilidade social é isso?

 

Em apenas um ano o Banco do Brasil cresceu 74%, fechando 2008 com um lucro recorde de R$ 8,8 bilhões. O Itaú, que praticamente dobrou em 2007, fechou 2008 com um lucro de R$ 7,71 bilhões, e o Bradesco registrou um saldo de R$ 7,62 bilhões no balanço do mesmo período.

 

Preocupados apenas em aumentar ainda mais seus lucros bilionários, os banqueiros pouco investem em condições dignas de trabalho para seus funcionários, que vivem em um ambiente de constante estresse e ainda acabam levando a culpa pelo péssimo atendimento nas agências. A fim de mudar essa situação, o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Patos de Minas e Região lançará, na próxima quarta-feira (13), em seu auditório, um pequeno manual com 28 páginas esclarecendo os principais direitos do cidadão que necessita de serviços bancários.

 

Recentemente, tive de pagar um boleto no “Banco do Planeta” e fui barrado na entrada porque minha pasta-fichário não cabia no porta-volumes que fica na lateral do detector de metais. O guarda disse que nada poderia fazer, agindo como se fosse proibido ou censurável o porte de fichários. Como apenas aquele banco estava credenciado a receber o título, solicitei a presença de um gerente, que só permitiu minha entrada depois que abri a pasta e mostrei-lhe meus pertences. 

Lá dentro, esperei 90 minutos na fila, seis vezes o tempo máximo permitido pela lei municipal 5.768, de autoria do vereador Bosquinho, em vigor desde 2006  ― que limita esse prazo a 15 minutos, prorrogáveis por mais 10 antes e depois de feriados prolongados, ou por mais 15 em dias de pagamento de funcionários públicos. Falam de “responsabilidade socioambiental” mas não cuidam da própria casa. A máquina de senha, que comprovaria o tempo de espera, estava desligada ou não funcionava, e não havia no local o número de telefone para reclamação ao órgão fiscalizador, tudo em desconformidade com a referida lei. O Guia do usuário de agências bancárias explica o que podemos fazer nessas situações.

O Promotor de Justiça José Carlos de Oliveira Campos Júnior aproveitará o lançamento para determinar aos representantes dos bancos uma data definitiva para que todos os estabelecimentos sejam regularizados, sob pena de multas diárias e até interdição.

De acordo com Campos Júnior, a conscientização dos usuários é muito importante para o trabalho do Ministério Público, e elogiou a iniciativa do Sindicato de produzir e distribuir as cartilhas. “De posse dessas informações, o consumidor poderá contribuir com os órgãos de fiscalização no esforço de fazer com que as agências sejam estruturadas para proporcionar um melhor atendimento”, diz .

Serão distribuídos gratuitamente 2.500 exemplares, e uma versão eletrônica da obra também estará disponível para download neste portal a partir do dia 13.

manoel@patoshoje.com.br

 

 

Golpe de sorte

sexta-feira, 13 de março de 2009
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Foto: Mônica Brandão

Nove dos dez contemplados com os cargos sorteados por Pedro Lucas no último dia 17 estão frequentando aulas de Ciências Políticas e Teoria do Estado na escola Abner Afonso (foto) com o professor universitário e advogado Denílson José Martins, e aulas práticas de legislação orgânica, ética, comunicação e relações interpessoais ministradas pela professora Kerley Cristhina de Paula e Silva e Baltazar Pedro de Brito, ambos funcionários da Câmara Municipal. São duas horas e meia por dia, três vezes por semana, totalizando 48 horas-aula.

Independentemente de os candidatos ocuparem ou não os cargos, o curso de capacitação será útil na formação de cidadãos mais conscientes de seus direitos. Mesmo os alunos com nível superior têm pouco conhecimento do processo legislativo e de como reivindicar contraprestações do poder público. “Além de qualificação para a vida, o trabalho e o desenvolvimento da cidadania, tais iniciativas levam formação cultural e humanística aos alunos, e deveriam ser estendidas a todos aqueles que vão lidar com o cidadão, que merece atendimento de qualidade e respeito à sua dignidade”, diz Denílson, que organizou o treinamento a pedido do vereador.

Em 2004, a legenda de Pedro Lucas, campeão de votos em dois pleitos anteriores, não atingiu o quociente exigido, apesar de ter sido o segundo candidato a vereador mais votado. Dois anos depois, candidatou-se a deputado estadual pela terceira vez. Compositor de músicas sacras e sertanejas, e criador de quelônios, com fins conservacionistas, Pedro Lucas, 45, voltou à cena política no ano passado. Obtendo votação recorde, hoje cumpre seu quinto mandato como vereador. Mudou o visual que manteve por vinte anos (cabelos e barba compridos), mas o gosto pela polêmica é o de sempre.

Ele acha difícil uma revogação da “muito bem fundamentada” decisão liminar que autorizou o sorteio, mas se isso acontecer vai recorrer e pagar outros assessores do próprio bolso enquanto a matéria estiver tramitando. “Fiz um compromisso público e não posso trair a confiança daqueles que acreditaram em minha ideia”, declarou ontem em um encontro informal com este colunista. Ficaria sem assessor se isso não inviabilizasse o atendimento a quem o procura em seu gabinete, cerca de sessenta pessoas diariamente.

Questionado se não estaria usando dinheiro dos cofres públicos em seu próprio benefício, ele esclarece que quando divulgou o sorteio já estava eleito. Tanto não teria havido premeditação que se soubesse que televisão, rádios e imprensa teriam tanto interesse em divulgar o sorteio gratuitamente (o assunto repercutiu até nos Estados Unidos e na Espanha), não teria pago anúncio em jornais. Acerca de eventuais futuras candidaturas, Pedro Lucas descarta a possibilidade de utilizar o sorteio de vagas como promessa de campanha, o que caracterizaria compra de votos. Mas não respondeu se poderia estabelecer tal procedimento em forma de programa, como o governo federal faz com o Bolsa Família. Considera muito prematuro falar sobre isso, pois sequer sabe se continuará na política.

Convenhamos, em se tratando de cargos de livre nomeação e exoneração, ordinariamente distribuídos entre partidários e parentes, o sorteio não é via menos apropriada para estimar competência e idoneidade. Até porque o sorteado terá de atender aos mesmos requisitos básicos exigidos para admissão de servidores na Câmara Municipal. Mas decerto é medida mais populista e vantajosa para o político, como admite a própria defesa do vereador:

(…) Quando o assessor for escolhido por sorteio, sendo incompetente, o parlamentar poderá demiti-lo, e estará perdendo um voto apenas, ou poucos votos, nomeando em seguida o suplente, também escolhido por sorteio, sem que experimente qualquer prejuízo político, muito pelo contrário, dirá que em seu gabinete só trabalha quem tem competência.

Isso sem considerarmos o MARKETING que um evento dessa natureza proporciona, tendo sido amplamente divulgado pelo vereador, visando “dar maior acesso de informação aos interessados”.

Pedro Lucas compara a atual polêmica com aquela que extinguiu a cobrança da taxa de iluminação pública no município. Há doze anos, durante seu terceiro mandato, o vereador representou junto ao Ministério Público contra o acréscimo correspondente a 8% cobrado pela Cemig sobre o valor da conta de luz. A Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) foi julgada procedente em três instâncias.

Uma vez que a taxa fora declarada inconstitucional, Pedro Lucas deixou de pagar as contas e depositou em juízo o valor que entendia correto. A Cemig suspendeu o fornecimento de energia na residência do vereador, que impetrou mandado de segurança. A família ficou sem energia elétrica durante 100 dias.

Após a Justiça dar ganho de causa ao vereador, a prefeitura determinou à Cemig que se abstivesse de cobrar a taxa de iluminação de toda a população. Pedro Lucas, com apoio da esposa, teria feito o sacrifício em defesa da sociedade. Ele, a esposa (grávida) e os filhos (um de ano e meio e outro de quatro meses) tomavam banho em bacias, e passaram Natal, ano-novo e Carnaval à luz de velas e lampiões, conta. Ao todo foram 108 pacotes de vela e 8 botijões de gás. Dois anos depois a taxa voltou a ser cobrada, mas com outro nome: “contribuição de iluminação”.

Agora, o idealizador do inusitado processo seletivo diz que o sorteio dará a todos oportunidade de emprego, de forma democrática, impessoal e transparente. Seu objetivo é quebrar a barreira da discriminação contra negros, idosos, pessoas com deficiência ou inexperientes. Ele constata que esse tipo de preconceito pesa muito na hora de uma contratação.

A coluna questionou o vereador em que sua foto, estampada no referido anúncio de jornal, contribui para a consecução de tão nobres objetivos. O art. 2º da Lei 9.784/99, que trata, dentre outros princípios, da finalidade, da moralidade e do interesse público, prescreve que “nos processos administrativos serão observados os critérios de objetividade no atendimento do interesse público, VEDADA A PROMOÇÃO PESSOAL DE AGENTES OU AUTORIDADES” (Parágrafo Único, Inciso III).

De acordo com o vereador, a foto não feriria tal norma, pois pagara o anúncio do próprio bolso. O princípio da publicidade preceitua que os atos administrativos devem ter ampla divulgação e a foto foi posta apenas para chamar atenção para o comunicado, argumenta. “Se não tivesse figura, poucas pessoas prestariam atenção no texto”.

Pedro Lucas diz que o sorteio atingiu seu principal objetivo: os primeiros sorteados foram um desempregado de 57 anos e uma jovem de 18, que não conseguia emprego por falta de experiência. “Como ela adquiriria experiência se nunca lhe deram uma chance?”, pergunta o vereador. Os dois assessores já estão empossados nos respectivos cargos, mas serão substituídos assim que começarem a apreender o ofício. É o lado ruim de sortear dois cargos por ano, reconhece Pedro Lucas, que queria dar oportunidade ao maior número de pessoas. Além disso, correria o risco de sortear pessoas com pouca qualificação e se sentir na obrigação de mantê-las por quatro anos, possibilidade que seria minimizada com o sorteio de mais pessoas, acredita.

O vereador conservará as urnas com o restante das fichas de inscrição enquanto a matéria estiver “sub judice”, e caso haja necessidade de novos suplentes até o final do mandato, outro sorteio deverá ser realizado. “O desembargador foi favorável e a lei não proíbe”, diz o vereador, confiante.

Já o promotor José Carlos de Oliveira Campos Júnior, membro da 5ª Promotoria de Justiça da comarca de Patos de Minas, curador do patrimônio público e autor da ação civil pública contra o vereador, acha natural que não haja lei proibindo o sorteio, pois “seria até mesmo risível um ato legal que dispusesse sobre tamanho disparate”.

Para Campos Júnior, há outros meios de o político bem-intencionado demonstrar seu apreço pela coisa pública e tentar equilibrar as oportunidades sociais, como submeter os candidatos a um teste escrito que medisse a aptidão dos mesmos para o exercício da função almejada, sendo nomeados os que obtivessem a maiores notas.


manoel@patoshoje.com.br

Pseudoliquidações

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

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É inacreditável como grandes redes de móveis e eletrodomésticos desrespeitam e humilham seus clientes impunemente. Anunciam SUPERSALDÕES incríveis, preços imperdíveis, descontos de até 90% (noventa por cento!) em todo o estoque! Mas quando conferida de perto a realidade é bem diferente. A imprensa é omissa, senão conivente, por tratar de interesses de grandes anunciantes, como ocorre com os constantes abusos cometidos por bancos e operadoras de telefone.

Embora o cidadão, não raro, seja vítima do próprio consumismo irracional e do hábito de deixar tudo para a última hora, cabe ao poder público proteger a população punindo os EMBUSTES, mais freqüentes nos finais de ano, quando parte das “ofertas” se refere a móveis quebrados, eletrodomésticos com defeito, faltando acessórios etc. “Esses detalhes não são mostrados na propaganda porque o tempo é muito curto e 30 segundos na TV custam os olhos da cara”, justifica o vendedor de um magazine. Outro detalhe é que nos impressos dessa loja, especificamente, apesar de amplos espaços para informações, também não havia qualquer menção a refugos.

Noutro panfleto não se lê a data da promoção, mas a expressão “somente amanhã”, certamente preparado para ser distribuído de modo a coincidir com o dia da promoção do concorrente, como de fato sempre “coincide”. Apesar do “somente amanhã”, em menos de 24 horas já eram anunciados novos “saldões”, desta vez a partir das 9h da noite.

Existem as propagandas que são exemplo de seriedade e correção, assim como lojas que primam pelo respeito aos direitos do consumidor, mas muita gente cai em arapucas. Inclusive muita gente idosa, que começa a estender seu colchão na calçada já na tarde do dia anterior e passa a madrugada na fila sonhando com a nova mesa de cozinha ou um tanquinho de lavar roupas. Nas portas das lojas, ambulantes contratados pela casa servem pipoca e cafezinho noite adentro.

Quando as portas finalmente se abrem - com quase uma hora de atraso em alguns casos, sem ser dada qualquer satisfação - a cena lembra a ação de saqueadores. Após quase se matarem pisando uma nas outras na disputa lá dentro, as pessoas saem carregando tanquinhos, televisores e até geladeiras nas costas. Afinal, o frete é por conta do consumidor, que sem saber pagou pelos produtos os mesmos preços com que eram vendidos na véspera, ou às vezes até um pouco mais. Fossem comprados antes, ainda
seriam entregues em casa.

De repente, ofertas-relâmpago ecoam pelo sistema de som: “Aproveitem! Sanduicheira Vicini de R$ 150,00 por apenas R$ 29,90! Corra antes que acabe!”. Máquinas de cortar cabelo, da mesma marca, “de R$ 175,00 por apenas R$ 34,90!!”. Os preços originais, óbvio, são fantasmas. Uma sanduicheira e um aparelho de cortar cabelo da marca citada custam em média R$ 40,00 e R$ 45,00, respectivamente. Um superfaturamento de cerca
de 250%.

Como o produto desejado estava quebrado ou se esgotou em 40 segundos, para não sair de mãos abanando, sentindo que foi totalmente inútil levantar às 4h da manhã, o humilde cidadão acaba visitando outras lojas, onde a maratona se repete e ele se conforma em levar qualquer coisa com o dinheiro economizado para o “evento”. Minados física e psicologicamente, muitos acreditam ter feito um excelente negócio, mesmo que a recompensa por todo o esforço se resuma a alguns trocados a menos no liquidificador.

manoel.almeida@estadao.com.br