Posts com a Tag ‘Literatura’

Folha depravada

sábado, 19 de junho de 2010

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Leitores da Folha de S.Paulo com o mínimo de preocupação em evitar que os filhos sejam expostos a conteúdos impróprios tiveram, neste sábado, uma surpresa extremamente desagradável. Na capa da Ilustrada, caderno no qual vem encartado o suplemento infantil “Folhinha”, o jornal estampava “quadrinhos” com homens e mulheres de genitália exposta, em cenas que o bom senso não permite que sejam inteiramente reproduzidas neste espaço (não pense que a tarja na imagem acima foi uma providência da Folha).

No interior do caderno, uma página inteira dedicada a “sexo espacial, defloramento, gays e transa animal”, com ilustrações ainda mais explícitas, inclusive um casal praticando felaçãototalizando nove figuras , acompanhadas de termos e expressões obscenos, igualmente impublicáveis, salvo em impressos do gênero.

Quando de trata de fesceninos, porém, somos avisados da temática e temos a liberdade de  não adquiri-los. Muito diferente de um produto que se supõe destinado a transmitir informações de interesse público e ao qual toda a família tem acesso.

O jornal chegou primeiro às mãos de minha filha, de oito anos. Antes de retirar o encarte de seu interesse, provavelmente teve acesso ao material em questão, mas não tivemos coragem de perguntar a ela. Enojada, minha esposa decidiu não admitir a Folha em casa nunca mais, dizendo ter vergonha de termos assinado “isto” algum dia. “Liga para esses vagabundos agora e fala pra eles que se amanhã mandarem o jornal eu boto fogo!”, revoltou-se, completamente transtornada com o incidente.

Há muito bloqueamos a busca de imagens pela internete, utilizada para trabalhos escolares, pois as palavras mais inocentes, quando digitadas no Google, quase sempre resultam em pornografia. Mesmo tendo o cuidado de não deixar as crianças assistirem à TV aberta sem a nossa companhia, insinuações de sexo e cenas  de violência surgem, de repente, nas programações mais insuspeitadas, ou durante os intervalos.

Não faz muito tempo, a Globo exibiu “A Lagoa Azul” na Sessão da Tarde, e em DVDs cuja censura é livre eles dão um jeito de inserir trailers de filmes para adultos, com os apelativos de sempre.

Depois, quando surgem nas escolas problemas como as “pulseiras do sexo” a mesma mídia se mostra escandalizada, como se não tivesse nada a ver com a iniciação sexual precoce, fomentada em novelas, em autedores de grifes, em propagandas de bebida etc.

Agora, sob o pretexto de divulgar o lançamento de uma coletânea de livros, o maior jornal do país, gratuitamente, expõe leitores menores a imagens e textos inadequados para essa faixa etária, ultrapassando todos os limites da vulgaridade e da falta de respeito. Além de cancelar a assinatura do jornal, na segunda-feira farei o que todo cidadão responsável deveria fazer: encaminhar o material ao Ministério Público para que atos criminosos como esse não fiquem impunes.


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Com a morte de José de Sousa Saramago a literatura portuguesa perde um de seus expoentes mais expressivos — não apenas da atualidade. A paráfrase que dá vida a uma gravura sobre a crucificação de Cristo (do renascentista alemão Albrecht Dürer) é uma amostra disso. Foi-se o homem, mas fica seu legado imortal.

Embora fosse ateu declarado, Deus é tema frequente em sua filosofia. “As pessoas têm necessidade de acreditar em algo que as transcendem e que vai mais além, que é uma forma de tratar de equilibrar os desastres do mundo”, teria dito o escritor. Quem sabe a morte revelar-se-lhe-á tal como a marca registrada da sua obra: em vez de o ponto-final, uma vírgula?


manoel@patoshoje.com.br


Admirável mundo novo

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

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Apesar da não incidência de impostos sobre livros, jornais e revistas (Constituição da República, art. 150, VI, d), no Brasil esses itens continuam sendo pouco acessíveis para grande parte da população. Será que os preços seriam ainda mais elevados se não houvesse essa imunidade? Ou a norma que deveria beneficiar os consumidores beneficia apenas os donos de editoras, gráficas e distribuidoras?

Mas graças ao boom tecnológico, hoje muito mais pessoas têm acesso a bens culturais e à informação. Embora arquivos digitais possam não substituir o prazer de manusear uma obra impressa, em compensação são inúmeros os saites onde você pode baixar todo tipo de publicação, nacional e estrangeira, algumas até antes de chegarem às bancas e livrarias, dentre inúmeras outras vantagens propiciadas por esse tipo de formato.

Além do acesso rápido e virtualmente gratuito, obras que não mais se encontram no mercado estão disponíveis para todos aqueles que têm acesso a um computador conectado à rede o que, infelizmente, ainda não é uma realidade para muitas pessoas.

No kotonette.com você pode baixar periódicos como História Viva, Época e as edições diárias do Estadão. Já o todo-poderoso AVAX, atualmente com um acervo de mais de quarenta mil edições, disponibiliza a versão eletrônica (em PDF) de alguns dos diários e algumas das revistas mais importantes do mundo (Time, Shonen Jump, The New Yorker, Billboard, Le Monde…), na íntegra, além de fascículos sobre ciências, história e arte, e quadrinhos novos e antigos, em diversos idiomas.

Um dos fóruns mais completos e populares é o F.A.R.R.A., que contém também filmes, documentários e animações, tudo muito bem organizado em tópicos e listas. Compilamos mais alguns linques no Ugh! (clique AQUI).

Como observou o escritor inglês Neil Gaiman, cujos trabalhos são maciçamente compartilhados pelos fãs, via internete, “o inimigo não é a ideia de que o livro esteja sendo lido de graça, e sim a de que ele não esteja sendo lido”.

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Um atento e culto leitor, que sempre colabora conosco com preciosas sugestões,  entrou em contato para comentar a frase O MAGNETÍSMO REFERE-SE À ÍMÃ, reproduzida na postagem de 16/9, na qual apontávamos “TRÊS ERROS” de português.

Ele concorda que o acento agudo em “magnetísmo” e o grave antes de palavra masculina sejam aberrações gramaticais, mas pergunta onde estaria a terceira, no uso da ênclise. “Não há palavra atrativa, a despeito do ‘magnetismo’, para o fator próclise”, brincou.

O leitor tem razão. Para muitos gramáticos é possível optar tanto pela próclise (SE REFERE) tanto pela ênclise (REFERE-SE), motivo pelo qual não podemos afirmar que esta constitua “erro” no caso citado.

Nós mesmos já utilizamos ambas as formas, todavia a questão não é unânime e não podemos ignorar que o português usado no Brasil e o português de Portugal divergem em muitos pontos, sendo a colocação de pronomes clíticos me, te, se, o(s), a(s), lhe(s), nos e vos apenas mais um.

Valem as regras de eufonia e bom senso, ao que julgamos a ênclise mais adequada aos padrões lusitanos, salvo com verbos que iniciem orações, no imperativo afirmativo ou no gerúndio, desde que não precedido de “em” ou advérbio, termos que atraem o pronome.

manoel@patoshoje.com.br 

Iniciação literária

domingo, 4 de outubro de 2009

aventuras-grandiosas 

As coleções Aventuras Grandiosas e Clássicos Universais da editora Rideel adaptações  destinadas a crianças entre 4 e 8 anos  reproduzem, em menos de 30 páginas, obras-primas de Homero, Twain, Cervantes, Dante, Tolstoi e Swift, dentre outros gigantes da literatura mundial.

 

Diversamente do que ocorre em adaptações desse gênero, as histórias não sofrem descaracterizações. O espírito das mesmas é mantido, sendo uma boa opção também para adultos, uma oportunidade para toda a família desfrutar momentos profícuos e inesquecíveis.

 

Ao fim de cada livro há uma biografia do autor e um roteiro de leitura com questões que enriquecem o conteúdo e ajudam pais e professores a discutir diferentes pontos de vista com a criança e, juntos, se aprofundarem nos temas: se Basil Hallward tivesse destruído o quadro assim que acabou de pintá-lo, como ameaçou fazer, Dorian Gray teria morrido naquela hora? Frankenstein foi escrito quando a ciência estava fazendo muitas descobertas. Que preocupações ou medo os atuais avanços científicos inspiram?

 

Além de os títulos serem muito bem escolhidos, o formato encoraja as crianças a se interessarem pelos textos originais. De quebra, o significado dos termos menos conhecidos é explicado no rodapé das páginas, ajudando a criar o hábito de consultar dicionários.

 

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As coleções, claro, não estão isentas de falhas, embora estas, felizmente, não cheguem a comprometer o conjunto do trabalho. Na 2ª edição de Moby Dick, capítulo 7, “Em busca do grande monstro branco”, lê-se:

 

(…) No início, pensava que fosse uma lenda, mas Queequeg me contou muitas coisas sobre a baleia branca. Além de ser diferente dos outros cachalotes por ter a cabeça toda enrugada e a cor alva, acreditava-se que ela tinha o poder da AMBIGUIDADE.

 

Aparentemente, o tradutor quis dizer UBIQUIDADE. Ambíguo é algo indefinido, impreciso, que dá margem a dupla interpretação, não uma espécie de “poder”. Mas logo abaixo o glossário dá outro sentido à palavra destacada: “AMBIGUIDADE: estar em mais de um lugar ao mesmo tempo”.

 

Levei o fato ao conhecimento de um professor de literatura, que discordou tratar-se de um equívoco. Mergulhado na leitura de Moby Dick pela terceira vez, agora diretamente no idioma de Melville, o professor também acredita que o grande cachalote tivesse o poder da “ambiguidade”. Afinal, o bicho era peixe e mamífero ao mesmo tempo!

 

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De acordo com os números divulgados por alguns veículos de comunicação, a atual greve dos bancários superou todas as expectativas: no sétimo dia teria chegado a 27 ESTADOS.

  

Considerando que por enquanto o país tem apenas 26 estados e o Distrito Federal (portanto 27 UNIDADES FEDERATIVAS), a paralisação já é o maior movimento da história da categoria.

 

manoel@patoshoje.com.br

O primeiro humanista

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

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Lançado nesta semana, no Unipam, novo livro de Luís André Nepomuceno situa Patos de Minas mais uma vez no cenário literário nacional.

Rico em informações de interesse de estudantes, professores e pesquisadores da área de História, Filosofia e Letras, “Petrarca e o Humanismo” (Editora Edusc, 280 p.) reúne vários artigos, alguns já publicados e outros inéditos, acerca do notável poeta e escritor italiano que revolucionou a mentalidade eclesiástica medieval, opondo-se às principais correntes filosóficas de seu tempo (como o tomismo e o aristotelismo).

Segundo Luís André, os ensaios são uma tentativa de se aprofundar nas conceituações sobre Humanismo e Renascimento, analisando o impacto do pensamento de Francesco Petrarca (1304-1374) - o “primeiro homem moderno”, na definição de historiadores franceses - nas discussões contemporâneas:

“Petrarca propôs, pela primeira vez, a reconquista dos autores do classicismo greco-latino, na compreensão de que o pensamento clássico poderia ser renovado e readequado a novos modelos e circunstâncias da modernidade.”

O autor é professor de Literatura Portuguesa e Literaturas de Língua Inglesa do Centro Universitário de Patos de Minas, Doutor em Teoria e História Literária pela Universidade Estadual de Campinas e ficcionista. “Petrarca e o Humanismo” é seu quarto livro publicado.

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Manchete genial da lavra do jornal Folha Patense:

“MP ENTRA COM AÇÃO CONTRA VEREADOR QUE QUER SORTEAR VAGAS DE ASSESSORES, MAS ELE NÃO CONCORDA.”

De fato, seria bastante natural que o vereador pactuasse com a ação movida pelo Ministério Público. Por que alguém não concordaria em ser processado, afinal?

manoel@patoshoje.com.br

Horsepower

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

horsepower

“Ben-Hur”, superprodução baseada em romance escrito no século 19 por Lew Wallace, completa 50 anos em 2009. O épico, estrelado pelo ator Charlton Heston, mantém-se vigoroso.

Condenado por um crime que não cometeu, o nobre e respeitado Judah de repente se vê reduzido à escravidão, acorrentado nas galés. Libertado pelo próprio comandante da esquadra, escapa da morte certa para, em seguida, ser recebido pelo imperador romano como herói. Descobre, todavia, que toda sua família fora destruída.

William Wyler tinha plena consciência de que dirigia um clássico. Temendo que o estúdio reaproveitasse os cenários em outras produções, o megalomaníaco diretor teria ordenado a destruição de centenas de sets após as gravações, a fim de que sua obra-prima permanecesse única. Ave, César!

Há várias sequências memoráveis, como as paradas militares das Legiões, com mais de 100.000 figurantes, e o arrebatador encontro com Jesus de Nazaré.

A mais famosa, com destaque nas embalagens do produto e aparentemente OBRIGATÓRIA em todas as citações (bem como a referência aos onze Oscar), é a “corrida de bigas” ao final.

Em Jerusalém, o aristocrático judeu Ben Hur sofre nas mãos dos romanos por defender o cristianismo e enfrenta comandante romano, durante EMOCIONANTE CORRIDA DE BIGAS (Correio Braziliense).

“LONDRES LEVARÁ CORRIDA DE BIGAS DE ‘BEN-HUR’ AOS PALCOS”, divulgou o serviço de notícias BBC Brasil na semana passada. O grandioso espetáculo, encenado ao ar livre, foi apresentado pela primeira vez há dois anos, em Paris (foto).

O curioso é que as famosas “bigas” não aparecem em NENHUMA CENA!

Talvez porque tais veículos têm, geralmente, duas rodas, é que seja feita a associação com o prefixo “bi”. Porém, a classificação deve ser de acordo com as unidades de “potência”: biga é puxada por um par de cavalos; triga, por três cavalos. Os carros de corrida reconstituídos no filme são QUADRIGAS.

As parelhas vencedoras eram decapitadas logo após as competições, em oferecimento aos deuses, costume também ignorado nas versões hollywoodianas .

Note que a resenha do Correio ainda comete um anacronismo. A religião cristã — que deu origem à Igreja Católica, sucessora do Império Romano — só surge depois da morte de seu fundador. Se este e o personagem interpretado por Heston eram contemporâneos, não haveria como o aristocrata ser perseguido por “defender o cristianismo”, então inexistente.

manoel@patoshoje.com.br

Derrubamos o muro errado!

sábado, 12 de julho de 2008

derrubamos-o-muro-errado-patos-blog

No best-seller “Quem Ama, Educa”, o “psicodramatista” Içami Tiba reúne várias dicas para os pais amansar seus filhotes, carinhosamente denominados “crioncinhas”.

“Se, porém, você já fez tudo que este pequeno manual diz não perca as esperanças”, encoraja o autor, que enumera vários obstáculos, aparentemente invencíveis, que foram superados pelo homem:

Hackers rompem qualquer sistema de proteção de computadores; recordes esportivos são superados a todo instante; caiu a Muralha da China; o machismo está sendo ultrapassado…

Epa! Caiu a “Muralha da China” ou o MURO DE BERLIM??

Mas o pior é que, na visão do ilustre educador, atos criminosos e de vandalismo como a invasão de sistemas por hackers são positivos, atitudes a serem estimuladas. Exemplos de superação, como a quebra de recordes esportivos.

manoel@patoshoje.com.br