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Cenas finais de LOST ‘vazaram’ um mês antes na internete

terça-feira, 1 de junho de 2010

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Após trinta dias, os documentos divulgados pela revista eletrônica “Gawker” em 23 de abril se revelaram verdadeiros. As fichas de produção de LOST (erroneamente identificadas pelos principais veículos de comunicação como páginas de “ROTEIRO”) foram encontradas em um restaurante no Havaí estado americano usado como cenário para a série.

Todas as cenas na caverna, com Desmond, Hurley, Ben, Jack e “Locke”, e fragmentos referentes ao duelo entre estes últimos, são descritos exatamente como visto no último capítulo da novela. Os papéis contendo um dos segredos mais bem guardados do mundo teriam sido esquecidos por membro(s) da equipe no mesmo dia em que as cenas foram gravadas.

Na época, a autenticidade dos documentos foi confirmada pela rede de televisão ABC, mas logo não se tocou mais no assunto, provavelmente porque se acreditava que foram deixados de propósito (hipótese que não pode ser totalmente descartada) e contivessem pistas falsas para confundir os fãs e dar publicidade ao programa.


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Recente manchete do Patos Hoje é um bom exemplo de como a ordem dos termos pode prejudicar o sentido de uma frase:

PM PRENDE CASAL ACUSADO DE COMETER VÁRIOS ASSALTOS DURANTE A MADRUGADA

Os assaltos eram cometidos durante a madrugada ou esse é o horário em que o casal fora preso?  Na segunda hipótese, a manchete deveria ser “Casal acusado de cometer vários assaltos é preso pela PM durante a madrugada”.

Já no primeiro parágrafo fica esclarecido que a prisão foi efetuada no período da tarde, mas o ideal é que a informação inequívoca chegue ao leitor desde o título, evitando-se ambiguidades. Note que a manchete ainda dá margem a um terceiro entendimento: o de que o casal foi acusado durante a madrugada.

Portanto, a frase “PRESO PELA PM CASAL ACUSADO DE COMETER, DURANTE A MADRUGADA, VÁRIOS ASSALTOS”, embora menos espontânea, é uma alternativa mais exata.

 

 

manoel@patoshoje.com.br


Justiça feita no caso Isabella é exceção

domingo, 28 de março de 2010

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Manifestantes nas ruas e cartazes protestando por justiça, repórteres ensandecidos e cobertura em tempo real. Um país de plantão, conectado e em frente ao aparelho de TV. Desde o impeachment do Collor, em 1992, não se via igual expectativa em torno de um julgamento. Mas a condenação dos Nardonis, totalizando 57,7 anos (dos quais nem a metade será cumprida), não justifica os aplausos e a queima de fogos. Soava até desrespeitoso à memória da pequena vítima. Dessa vez não havia o que comemorar: pena alguma traria Isabella de volta e paz às famílias; e promotoria, peritos, corpo de jurados e o juiz-presidente — alçados a heróis nacionais não fizeram mais que cumprir um dever legal.

Assim como o advogado de defesa, na medida do impossível, cumpriu o seu. Dispõe o Código de Ética e Disciplina, instituído pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB):

Art. 21. É DIREITO E DEVER DO ADVOGADO ASSUMIR A DEFESA CRIMINAL, SEM CONSIDERAR SUA PRÓPRIA OPINIÃO SOBRE A CULPA DO ACUSADO.

Ainda que, em seu íntimo, acreditem na culpa dos clientes, os advogados, por motivos óbvios, estão impedidos de admiti-lo, a menos que seja como recurso retórico para despertar empatia nos jurados. Tipo quem diz ser natural, após um massacre patrocinado pela mídia, estarem todos inclinados a achar que o réu é culpado, ressaltando que isso não é suficiente para condenar-se alguém, sendo necessário prova inequívoca. Na dúvida, deve-se absolver (in dubio pro reo).

Tentou-se mesmo tirar proveito da perplexidade geral que o caso provocou ao se questionar por que era mais fácil acreditar que um pai seja capaz de defenestrar a filha a imaginar que outro indivíduo no apartamento houvesse cometido a barbárie (e desaparecido num passe de mágica, mas isso é apenas um detalhe).

Convenhamos, menos verossímil é um pai estar mais preocupado em demonstrar sua inocência do que em descobrir o suposto assassino de sua filha, inclusive apagando vestígios que levariam à “verdade”, como comprovado nos autos. Daí o empenho na desqualificação da perícia. Ora, se os peritos apresentaram um trabalho criticável é porque os assassinos fizeram o favor de limpar o local do crime. Acolhida a tese de insuficiência de provas, estes beneficiar-se-iam da própria torpeza.

A tentativa de persuasão, todavia, está dentro dos limites da defesa plena, e as hostilidades sofridas por profissionais no exercício de sua atividade quebraram o clima de democracia que se instalou na porta do Fórum Criminal de Santana. No entanto, as diversas reações dos espectadores, durante o julgamento e ao término da leitura da sentença, talvez se expliquem pelo justo receio de que, apesar das evidências, os criminosos saíssem livres.

Basta lembrar o caso Suzane von Richthofen. Devido à má formulação dos quesitos, conforme eram previstos na lei processual, faltou apenas um voto para a parricida confessa ser ABSOLVIDA.

A prisão dos Nardonis e a recente prisão do governador do Distrito Federal são exceções, e servem apenas para criar a ilusão de que temos um sistema eficaz. Não à toa, uma das fundamentações da sentença foi a “garantia da ordem pública, objetivando acautelar a CREDIBILIDADE DA JUSTIÇA”, em razão, dentre outras, “da REPERCUSSÃO que o delito causou no meio social”.

Enfim, no País da Impunidade, para cada corrupto preso, mil arrudas continuarão em liberdade. Quantas isabellas mereceram a atenção do poder público e de seu tão proclamado aparato humano e tecnológico, com direito a maquetes, animações gráficas, bluestars etc.? Quantas crianças sucumbem diariamente sob o descaso da mídia e da sociedade?

Clamor social, aliás, também parece ser o fundamento para manter o casal algemado, o que contraria a súmula vinculante editada pelo Supremo tribunal Federal em agosto de 2008:

Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade.

Além da responsabilidade civil do Estado, o enunciado da Súmula 13 prevê a nulidade da prisão e do ato processual praticados com abusos, como os constatados no caso dos Nardonis.

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Na reta final do julgamento, também ouviu-se muito sobre a chamada SALA SECRETA do Júri. Curiosamente, todos sabem que a sala onde o Conselho de Sentença se reuniu a portas fechadas fica ao lado do plenário. Logo, de “secreta” ela só tem o nome. E ao contrário do que  habitualmente se diz, tampouco são “secretos” os votos dos jurados. Secreto, sim, é o ESCRUTÍNIO, permitida simplesmente a interrupção da contagem quando o resultado se torna irreversível. Fossem secretos os votos, como conheceríamos os vereditos?

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Falando em sigilo, sendo os tribunais do júri abertos ao público não se justifica o julgamento do casal Nardoni não ter sido transmitido ou gravado. A proibição representa verdadeiro contrassenso, haja vista ser a livre circulação da informação característica do Estado democrático de Direito. Foi em nome desse princípio, por exemplo, que advogados e promotores diretamente envolvidos no caso se apresentavam nos meios de comunicação no decorrer de todo o processo.

manoel@patoshoje.com.br

Admirável mundo novo

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

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Apesar da não incidência de impostos sobre livros, jornais e revistas (Constituição da República, art. 150, VI, d), no Brasil esses itens continuam sendo pouco acessíveis para grande parte da população. Será que os preços seriam ainda mais elevados se não houvesse essa imunidade? Ou a norma que deveria beneficiar os consumidores beneficia apenas os donos de editoras, gráficas e distribuidoras?

Mas graças ao boom tecnológico, hoje muito mais pessoas têm acesso a bens culturais e à informação. Embora arquivos digitais possam não substituir o prazer de manusear uma obra impressa, em compensação são inúmeros os saites onde você pode baixar todo tipo de publicação, nacional e estrangeira, algumas até antes de chegarem às bancas e livrarias, dentre inúmeras outras vantagens propiciadas por esse tipo de formato.

Além do acesso rápido e virtualmente gratuito, obras que não mais se encontram no mercado estão disponíveis para todos aqueles que têm acesso a um computador conectado à rede o que, infelizmente, ainda não é uma realidade para muitas pessoas.

No kotonette.com você pode baixar periódicos como História Viva, Época e as edições diárias do Estadão. Já o todo-poderoso AVAX, atualmente com um acervo de mais de quarenta mil edições, disponibiliza a versão eletrônica (em PDF) de alguns dos diários e algumas das revistas mais importantes do mundo (Time, Shonen Jump, The New Yorker, Billboard, Le Monde…), na íntegra, além de fascículos sobre ciências, história e arte, e quadrinhos novos e antigos, em diversos idiomas.

Um dos fóruns mais completos e populares é o F.A.R.R.A., que contém também filmes, documentários e animações, tudo muito bem organizado em tópicos e listas. Compilamos mais alguns linques no Ugh! (clique AQUI).

Como observou o escritor inglês Neil Gaiman, cujos trabalhos são maciçamente compartilhados pelos fãs, via internete, “o inimigo não é a ideia de que o livro esteja sendo lido de graça, e sim a de que ele não esteja sendo lido”.

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Um atento e culto leitor, que sempre colabora conosco com preciosas sugestões,  entrou em contato para comentar a frase O MAGNETÍSMO REFERE-SE À ÍMÃ, reproduzida na postagem de 16/9, na qual apontávamos “TRÊS ERROS” de português.

Ele concorda que o acento agudo em “magnetísmo” e o grave antes de palavra masculina sejam aberrações gramaticais, mas pergunta onde estaria a terceira, no uso da ênclise. “Não há palavra atrativa, a despeito do ‘magnetismo’, para o fator próclise”, brincou.

O leitor tem razão. Para muitos gramáticos é possível optar tanto pela próclise (SE REFERE) tanto pela ênclise (REFERE-SE), motivo pelo qual não podemos afirmar que esta constitua “erro” no caso citado.

Nós mesmos já utilizamos ambas as formas, todavia a questão não é unânime e não podemos ignorar que o português usado no Brasil e o português de Portugal divergem em muitos pontos, sendo a colocação de pronomes clíticos me, te, se, o(s), a(s), lhe(s), nos e vos apenas mais um.

Valem as regras de eufonia e bom senso, ao que julgamos a ênclise mais adequada aos padrões lusitanos, salvo com verbos que iniciem orações, no imperativo afirmativo ou no gerúndio, desde que não precedido de “em” ou advérbio, termos que atraem o pronome.

manoel@patoshoje.com.br 

Iniciação literária

domingo, 4 de outubro de 2009

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As coleções Aventuras Grandiosas e Clássicos Universais da editora Rideel adaptações  destinadas a crianças entre 4 e 8 anos  reproduzem, em menos de 30 páginas, obras-primas de Homero, Twain, Cervantes, Dante, Tolstoi e Swift, dentre outros gigantes da literatura mundial.

 

Diversamente do que ocorre em adaptações desse gênero, as histórias não sofrem descaracterizações. O espírito das mesmas é mantido, sendo uma boa opção também para adultos, uma oportunidade para toda a família desfrutar momentos profícuos e inesquecíveis.

 

Ao fim de cada livro há uma biografia do autor e um roteiro de leitura com questões que enriquecem o conteúdo e ajudam pais e professores a discutir diferentes pontos de vista com a criança e, juntos, se aprofundarem nos temas: se Basil Hallward tivesse destruído o quadro assim que acabou de pintá-lo, como ameaçou fazer, Dorian Gray teria morrido naquela hora? Frankenstein foi escrito quando a ciência estava fazendo muitas descobertas. Que preocupações ou medo os atuais avanços científicos inspiram?

 

Além de os títulos serem muito bem escolhidos, o formato encoraja as crianças a se interessarem pelos textos originais. De quebra, o significado dos termos menos conhecidos é explicado no rodapé das páginas, ajudando a criar o hábito de consultar dicionários.

 

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As coleções, claro, não estão isentas de falhas, embora estas, felizmente, não cheguem a comprometer o conjunto do trabalho. Na 2ª edição de Moby Dick, capítulo 7, “Em busca do grande monstro branco”, lê-se:

 

(…) No início, pensava que fosse uma lenda, mas Queequeg me contou muitas coisas sobre a baleia branca. Além de ser diferente dos outros cachalotes por ter a cabeça toda enrugada e a cor alva, acreditava-se que ela tinha o poder da AMBIGUIDADE.

 

Aparentemente, o tradutor quis dizer UBIQUIDADE. Ambíguo é algo indefinido, impreciso, que dá margem a dupla interpretação, não uma espécie de “poder”. Mas logo abaixo o glossário dá outro sentido à palavra destacada: “AMBIGUIDADE: estar em mais de um lugar ao mesmo tempo”.

 

Levei o fato ao conhecimento de um professor de literatura, que discordou tratar-se de um equívoco. Mergulhado na leitura de Moby Dick pela terceira vez, agora diretamente no idioma de Melville, o professor também acredita que o grande cachalote tivesse o poder da “ambiguidade”. Afinal, o bicho era peixe e mamífero ao mesmo tempo!

 

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De acordo com os números divulgados por alguns veículos de comunicação, a atual greve dos bancários superou todas as expectativas: no sétimo dia teria chegado a 27 ESTADOS.

  

Considerando que por enquanto o país tem apenas 26 estados e o Distrito Federal (portanto 27 UNIDADES FEDERATIVAS), a paralisação já é o maior movimento da história da categoria.

 

manoel@patoshoje.com.br

Abre-te, Sésamo!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

superedu1

Puffing ― a hipérbole (o exagero) na publicidade ― é uma técnica legítima para fixação de uma mensagem, desde que as características atribuídas aos produtos ou serviços apresentados sejam verdadeiras.

Contudo, nem sempre o que você compra ou contrata corresponde àquilo que eles anunciam.

Na campanha de lançamento da caixinha do leite longa vida Cemil afirmava-se que o dispositivo de abertura do produto era muito mais prático que o método tradicional (faca ou tesoura), do qual continuo me valendo, até por considerá-lo mais higiênico.

Não sei se o problema era com o picote do lacre ou com o material utilizado, mas o fato é que eu não conseguia abrir a caixinha com a mesma facilidade que era mostrada na televisão. Tampouco encontrei alguém que pudesse fazê-lo ― pelo contrário: descobri pessoas que não conseguiam abri-la de jeito algum (ao menos, não sem destruí-la antes). Será que a tampinha utilizada na publicidade é diferente? Ou o Edu Guedes toma leite com anabolizantes?


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Antes e depois dos desfiles de lingerie no programa de Luciana Gimenez, na Rede TV, dou uma espionada no Show do Milhão Jequiti, do SBT, uma das mais profícuas fontes de gafes da televisão brasileira.

Certa feita, foi questionado ao candidato o nome do filme cujo personagem usava uma máscara de hóquei. Comentando a questão, Silvio Santos disse achar que a resposta fosse O FANTASMA DA ÓPERA, lamentando não haver tal opção entre as quatro alternativas.

Tudo bem o apresentador nunca ter ouvido falar de Jason, personagem da série Sexta-feira 13, mas, convenhamos, o que a máscara usada pelo protagonista da obra máxima de Gaston Leroux tem a ver com HÓQUEI?!

Em outro equívoco tosco, o participante tinha de apontar entre quatro personagens de Walt Disney aquele que “foi criado sem som de voz”. Resposta: Pluto. A produção quis dizer FALA em lugar de “voz”, pois Pluto não é capaz de falar como o Pateta, apesar de ambos pertencerem à família dos canídeos. Mas é óbvio que Pluto pode emitir vozes, como latir, uivar, balsar, rosnar e ganir.

Dicionários trazem até um adendo intitulado VOZES DOS ANIMAIS. O Houaiss, por exemplo, registra vinte e duas vozes para o cachorro (na verdade, são catorze. O dicionário repetiu oito, apenas mudando a forma infinitiva para o particípio).

Sem falar que em praticamente todas as perguntas há erros de português. Será que a “TV dos Milionários” não tem dinheiro para contratar ao menos um professor de português?

Já quando se afirma que “o Canal de Suez se liga ao Mar Vermelho com o Mar Mediterrâneo” difícil saber se o problema é maior com o português ou com a geografia. O correto é que o Mar Vermelho e o Mediterrâneo são ligados pelo Canal de Suez, não este ao Mar Vermelho com o Mediterrâneo.

O telespectador fica sabendo, ainda, que “a tonelada é uma medida de peso”, que “esporádico é o mesmo que habitual” e que no folclóre [sic] brasileiro o boto “é um peixe que vira um bonito rapaz”.

Na verdade, tonelada é uma medida de MASSA (a unidade de peso é NEWTON, nome do formulador da lei da gravitação universal), esporádico é o mesmo que EVENTUAL (habitual é simplesmente um ANTÔNIMO!) e os botos não são peixes ― são MAMÍFEROS da ordem dos cetáceos (como as baleias e os golfinhos).

manoel@patoshoje.com.br

Não furtarás

sábado, 1 de agosto de 2009

 

No mundo inteiro, é comum gente de todas as religiões desvirtuar a palavra e o nome de Deus, utilizando-os para fins nada divinos. Políticos empregam-nos em seus discursos para iludir e arrebanhar eleitores, empresários chegam a adotá-los em slogan para fidelizar clientela. Mas fato recentemente noticiado na capa do jornal Folha Patense é o cúmulo do sacrilégio:

“RAPAZ USA ORAÇÃO PARA ENTRAR E ROUBAR RESIDÊNCIAS”

Imediatamente, vem-nos à mente o flagrante de um bandido posto de joelhos ante o oratório, pedindo a santa proteção antes de partir para mais um dia de delinquências e iniquidades.

O subtítulo, porém, logo esclarece: “Ele distraía as vítimas com pregação”. Soberboso da própria criatividade, o redator repetiu a manchete na página interna.

Os verbos entrar e roubar, todavia, têm regências diferentes. No caso, o primeiro é transitivo indireto (preposicionado); o segundo, transitivo direto (sem preposição). Se o rapaz entrou em residências, onde está a preposição (em) que liga o verbo (entrar) a seu objeto (residências)?

A frase que consta no jornal é um desatino idêntico a “rapaz usa oração para roubar e ENTRAR RESIDÊNCIAS”, forma admissível apenas em textos literários.

De acordo com o constante no corpo da reportagem, a manchete ainda traz outra incorreção (a pontuação é um caso à parte; na Folha, você sabe, eles não têm noção alguma de como usar pontos e vírgulas corretamente):

 

Conversando levava as vítimas para um cômodo da casa e as distraía enquanto isso, a companheira tirava os objetos menores e fáceis de serem carregados.

 

Sucede que o crime de ROUBO se configura quando o autor subtrai um bem mediante violência física ou ameaça grave contra as vítimas (Código Penal, art. 157), o que não se verifica na ação do falso pregador.

 

A norma penal condizente ao fato noticiado (a denominada subsunção) é o artigo 155, §4º, incisos II e IV: FURTO QUALIFICADO (subtração de bem mediante fraude, com a participação de mais de uma pessoa).

 

Uma forma simples e correta para a manchete da Folha Amadorense seria FALSO PREGADOR FURTAVA RESIDÊNCIAS. Que o mesmo entrava nas residências já está implícito, sendo desnecessário dizê-lo. 

 

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A expressão “DENÚNCIA ANÔNIMA”, pela qual a mídia reporta ao episódio envolvendo o deputado estadual Elmiro Nascimento, não é apropriada.

Tecnicamente, DENÚNCIA é a acusação oferecida pelo Ministério Público nos crimes de ação penal pública. Jamais será anônima. Nos crimes de ação penal privada, a peça de acusação se chama QUEIXA-CRIME, na qual o ofendido (querelante) também deve estar plenamente identificado.

Nesta semana, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Patos de Minas (CDL) abriu espaço para Elmiro esclarecer a acusação ―  contratações indevidas de assessores pagos pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.  A entidade realiza reuniões públicas todas as terças-feiras, em sua sede.

Na oportunidade, Elmiro se disse agradecido pelo convite e afirmou ser normal ter assessores parlamentares trabalhando em Patos de Minas, sua base de atuação, e os que porventura prestam serviço à sua empresa são registrados de acordo com a legislação trabalhista, que permite a contratação de uma pessoa por vários empregadores.

O deputado se diz vítima de “perseguição política” e acusou, sem nominar, um site patense noticioso, que estaria denegrindo sua imagem com informações inverídicas. Ao colunista o deputado disse que se referia ao Patos Hoje.

O jornalista Mauricio Rocha, responsável pelo portal, não estava presente à reunião, mas negou haver qualquer interesse de sua parte em denegrir a imagem de alguém. A pedido do deputado, Mauricio chegou a retirar do site reprodução do jornal Estado de Minas sobre a suposta irregularidade na contratação dos assessores. 

manoel@patoshoje.com.br

American way

domingo, 19 de abril de 2009

 american-way-life-patos-blog

 

Todos somos iguais e temos direito a perseguir nossa própria versão da felicidade.   (Barack Obama)

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Antes de acessar a nova caixa de correio eletrônico no portal estadao.com.br - plataforma gerada pela multinacional americana Google - o usuário se depara com o seguinte comando:

CLICK AQUI E ENTRE NO NOVO WEBMAIL

O vocábulo registrado em dicionários de língua portuguesa é “clique”, do verbo clicar. O que justifica a opção pelo termo em inglês ?

Segundo estabelece o próprio Manual de Redação e Estilo do Estadão (Editora Moderna, 1997), “a palavra estrangeira, na sua forma original, só deverá ser usada quando absolutamente indispensável”, e “se a palavra ou expressão não tiver correspondente em português, ou quando este for pouco usado” (pág. 209).

manoel@patoshoje.com.br

Data maxima venia

sábado, 13 de dezembro de 2008

A exigência de testes objetivos e prático-profissionais para admissão na Ordem dos Advogados do Brasil é um legítimo instrumento de autoproteção fundamental para a valorização daquela categoria, principalmente face ao volume de bacharéis que os cursos derramam no mercado todos os anos.

Só no estado de São Paulo - que tem cerca de 40 milhões de habitantes - haveria mais faculdades de Direito que em todos os EUA - com 300 milhões de habitantes.

Embora elaboradas por instituições altamente capacitadas, as provas de seleção são obra humana e como tal seria demasiado ingênuo esperar ou exigir que fossem isentas de imperfeições. Erros crassos, todavia, são inadmissíveis em avaliações de uma profissão para cujo exercício é essencial o domínio do vernáculo.

Veja-se um exemplo colhido no último exame da OAB/MG, em que a concordância passa ao largo da adequação gramatical:

SÃO REQUISITOS PARA A RECUPERAÇÃO JUDICIAL NÃO TER SIDO CONDENADO POR CRIME PREVISTO NA LEI FALIMENTAR.

Na segunda questão de civil, o candidato deveria marcar a afirmativa incorreta, mas a própria alternativa já trazia a correção logo em seguida:

A FIANÇA, A HIPOTECA E O PENHOR CONSTITUEM DIREITOS REAIS. A FIANÇA NÃO É UM DIREITO REAL.

Apesar de claramente ambígua, a questão não foi anulada.

Outra condição básica para ingresso na carreira jurídica é a capacidade de interpretação de texto. Ainda com relação ao exame da Ordem aplicado dia 07/12, vejamos esta assertiva considerada correta no gabarito publicado ontem:

O VETO DO CHEFE DO EXECUTIVO, A PROJETO DE LEI, PODE TER POR FUNDAMENTO A INCONSTITUCIONALIDADE TOTAL OU PARCIAL.

Ora, meias inconstitucionalidades simplesmente não existem. Ou a matéria é constitucional ou é inconstitucional. O que pode ser total ou parcial é o veto do presidente.

Uma opção para que tal assertiva se tornasse verdadeira seria “o veto do chefe do executivo pode ser total ou parcial, por fundamento na inconstitucionalidade do projeto de lei”. Ou ainda: “Pode ser total ou parcial o veto do chefe do executivo a projeto de lei total ou parcialmente inconstitucional”. O projeto de lei será parcialmente inconstitucional quando a matéria impugnada incidir sobre artigo, parágrafo, inciso ou alínea (Constituição da República, art. 66, § 2°).

Outra interpretação duvidosa a texto legal foi dada pelo CESPE (Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília) no 135° Exame de Ordem da OAB de São Paulo (maio/2008):

O PEDIDO DE CRIAÇÃO DE UM CURSO DE DIREITO DEPENDE DE PARECER OPINATIVO DA COMISSÃO DE ENSINO JURÍDICO DO CONSELHO FEDERAL DA OAB.

Considerando o Regulamento Geral do Estatuto da Advocacia e da OAB, o pedido de abertura de curso de Direito feito por instituição de ensino superior é prévio ao parecer, e não o contrário. Logo, os pedidos não dependem de parecer, este é que depende daqueles. E para que serve o termo OPINATIVO completando o sentido de parecer? Será que os exegetas da banca examinadora conhecem pareceres de outra espécie?

A rigor, a afirmação correta seria algo como “A DELIBERAÇÃO pelo órgão competente para criar, reconhecer e credenciar curso de Direito depende de parecer FAVORÁVEL da Comissão de Ensino Jurídico do Conselho Federal da OAB”.

manoel@patoshoje.com.br

Horsepower

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

horsepower

“Ben-Hur”, superprodução baseada em romance escrito no século 19 por Lew Wallace, completa 50 anos em 2009. O épico, estrelado pelo ator Charlton Heston, mantém-se vigoroso.

Condenado por um crime que não cometeu, o nobre e respeitado Judah de repente se vê reduzido à escravidão, acorrentado nas galés. Libertado pelo próprio comandante da esquadra, escapa da morte certa para, em seguida, ser recebido pelo imperador romano como herói. Descobre, todavia, que toda sua família fora destruída.

William Wyler tinha plena consciência de que dirigia um clássico. Temendo que o estúdio reaproveitasse os cenários em outras produções, o megalomaníaco diretor teria ordenado a destruição de centenas de sets após as gravações, a fim de que sua obra-prima permanecesse única. Ave, César!

Há várias sequências memoráveis, como as paradas militares das Legiões, com mais de 100.000 figurantes, e o arrebatador encontro com Jesus de Nazaré.

A mais famosa, com destaque nas embalagens do produto e aparentemente OBRIGATÓRIA em todas as citações (bem como a referência aos onze Oscar), é a “corrida de bigas” ao final.

Em Jerusalém, o aristocrático judeu Ben Hur sofre nas mãos dos romanos por defender o cristianismo e enfrenta comandante romano, durante EMOCIONANTE CORRIDA DE BIGAS (Correio Braziliense).

“LONDRES LEVARÁ CORRIDA DE BIGAS DE ‘BEN-HUR’ AOS PALCOS”, divulgou o serviço de notícias BBC Brasil na semana passada. O grandioso espetáculo, encenado ao ar livre, foi apresentado pela primeira vez há dois anos, em Paris (foto).

O curioso é que as famosas “bigas” não aparecem em NENHUMA CENA!

Talvez porque tais veículos têm, geralmente, duas rodas, é que seja feita a associação com o prefixo “bi”. Porém, a classificação deve ser de acordo com as unidades de “potência”: biga é puxada por um par de cavalos; triga, por três cavalos. Os carros de corrida reconstituídos no filme são QUADRIGAS.

As parelhas vencedoras eram decapitadas logo após as competições, em oferecimento aos deuses, costume também ignorado nas versões hollywoodianas .

Note que a resenha do Correio ainda comete um anacronismo. A religião cristã — que deu origem à Igreja Católica, sucessora do Império Romano — só surge depois da morte de seu fundador. Se este e o personagem interpretado por Heston eram contemporâneos, não haveria como o aristocrata ser perseguido por “defender o cristianismo”, então inexistente.

manoel@patoshoje.com.br

Novo endereço

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

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 Lê-se a seguinte “charada” na caixa de um brinquedo pretensamente didático:

SOU A RESIDÊNCIA DO PRESIDENTE DOS E.U.A!

Pela embalagem, tem-se uma idéia do conteúdo: a fachada que ilustra a assertiva não é da Casa Branca, mas do Capitólio, sede do poder legislativo do governo norte-americano (Senado e Câmara dos Representantes)…

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Mal o acordo ortográfico fora assinado pelo (quem diria?) presidente Lula e já se encontravam nas bancas manuais práticos sobre a tímida reforma. Como o Guia da Reforma Ortográfica (On Line Editora), que se propõe a “dissipar eventuais dúvidas sobre a nova forma de escrever”. Logo na capa, porém, lê-se a seguinte chamada:

UM MANUAL PRÁTICO PARA VOCÊ CONHECER E SE ADAPTAR ÀS NOVAS REGRAS DA LÍNGUA PORTUGUESA.

Pelo que se sabe, a reforma não alterou a regência do verbo “conhecer”, e mesmo se o fizesse, ela só entraria em vigor a partir de 2009. Logo, indevida é a ocorrência da crase.

Igual impropriedade é bastante comum em enquetes do tipo ‘você é contra ou a favor da cota para negros?”, “você é contra ou a favor da Lei Seca?” etc. Será que mesmo os mais sensíveis poderiam ser contra “DA pena de morte” ou contra “DO aborto de anencéfalos”?

Ninguém jamais poderia ser contra ou a favor DO que quer que seja, mas contra alguma coisa ou a favor DE outra; favorável ou contrário A alguma coisa. Da mesma forma, o mais adequado à chamada norma culta é “…para você conhecer AS novas regras e adaptar-se a elas”, que de fato soa bem melhor.

Apesar da eufonia, expressões bastante exploradas traem os ouvidos mais afinados e experientes. O mineiro Eduardo Sabbag, autor de “Redação Forense” (livro de cabeceira de Fernandinho Beira-Mar), decodificando o artigo 129 do Código Tributário Nacional (CTN) a fim de “massacrar os testes” de concurso, ditou para os alunos:

As normas afetas a responsabilidade tributária serão aplicáveis, quanto ao momento da formalização do CT (crédito tributário), antes, durante e após o lançamento.

“Antes” exige a preposição “de” (”antes DO lançamento”), diferentemente de “durante” e “após” (”durante o lançamento”, “após o lançamento”). A parte final ficaria mais consentânea com a gramática normativa se redigida do seguinte modo (ou equivalente): “As normas serão aplicáveis durante e após o lançamento ou antes DELE”.

O uso de “depois” em lugar de “após” talvez resulte em forma mais didática: “As normas serão aplicáveis antes e depois DO lançamento ou durante o mesmo”.

Outra possibilidade é a substituição também da palavra “durante”, servindo a preposição aos três termos: “As normas serão aplicáveis antes, depois e NO DECORRER do lançamento”.

manoel@patoshoje.com.br