
Leitores da Folha de S.Paulo com o mínimo de preocupação em evitar que os filhos sejam expostos a conteúdos impróprios tiveram, neste sábado, uma surpresa extremamente desagradável. Na capa da Ilustrada, caderno no qual vem encartado o suplemento infantil “Folhinha”, o jornal estampava “quadrinhos” com homens e mulheres de genitália exposta, em cenas que o bom senso não permite que sejam inteiramente reproduzidas neste espaço (não pense que a tarja na imagem acima foi uma providência da Folha).
No interior do caderno, uma página inteira dedicada a “sexo espacial, defloramento, gays e transa animal”, com ilustrações ainda mais explícitas, inclusive um casal praticando felação — totalizando nove figuras —, acompanhadas de termos e expressões obscenos, igualmente impublicáveis, salvo em impressos do gênero.
Quando de trata de fesceninos, porém, somos avisados da temática e temos a liberdade de não adquiri-los. Muito diferente de um produto que se supõe destinado a transmitir informações de interesse público e ao qual toda a família tem acesso.
O jornal chegou primeiro às mãos de minha filha, de oito anos. Antes de retirar o encarte de seu interesse, provavelmente teve acesso ao material em questão, mas não tivemos coragem de perguntar a ela. Enojada, minha esposa decidiu não admitir a Folha em casa nunca mais, dizendo ter vergonha de termos assinado “isto” algum dia. “Liga para esses vagabundos agora e fala pra eles que se amanhã mandarem o jornal eu boto fogo!”, revoltou-se, completamente transtornada com o incidente.
Há muito bloqueamos a busca de imagens pela internete, utilizada para trabalhos escolares, pois as palavras mais inocentes, quando digitadas no Google, quase sempre resultam em pornografia. Mesmo tendo o cuidado de não deixar as crianças assistirem à TV aberta sem a nossa companhia, insinuações de sexo e cenas de violência surgem, de repente, nas programações mais insuspeitadas, ou durante os intervalos.
Não faz muito tempo, a Globo exibiu “A Lagoa Azul” na Sessão da Tarde, e em DVDs cuja censura é livre eles dão um jeito de inserir trailers de filmes para adultos, com os apelativos de sempre.
Depois, quando surgem nas escolas problemas como as “pulseiras do sexo” a mesma mídia se mostra escandalizada, como se não tivesse nada a ver com a iniciação sexual precoce, fomentada em novelas, em autedores de grifes, em propagandas de bebida etc.
Agora, sob o pretexto de divulgar o lançamento de uma coletânea de livros, o maior jornal do país, gratuitamente, expõe leitores menores a imagens e textos inadequados para essa faixa etária, ultrapassando todos os limites da vulgaridade e da falta de respeito. Além de cancelar a assinatura do jornal, na segunda-feira farei o que todo cidadão responsável deveria fazer: encaminhar o material ao Ministério Público para que atos criminosos como esse não fiquem impunes.
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Com a morte de José de Sousa Saramago a literatura portuguesa perde um de seus expoentes mais expressivos — não apenas da atualidade. A paráfrase que dá vida a uma gravura sobre a crucificação de Cristo (do renascentista alemão Albrecht Dürer) é uma amostra disso. Foi-se o homem, mas fica seu legado imortal.
Embora fosse ateu declarado, Deus é tema frequente em sua filosofia. “As pessoas têm necessidade de acreditar em algo que as transcendem e que vai mais além, que é uma forma de tratar de equilibrar os desastres do mundo”, teria dito o escritor. Quem sabe a morte revelar-se-lhe-á tal como a marca registrada da sua obra: em vez de o ponto-final, uma vírgula?




