
Apesar da não incidência de impostos sobre livros, jornais e revistas (Constituição da República, art. 150, VI, d), no Brasil esses itens continuam sendo pouco acessíveis para grande parte da população. Será que os preços seriam ainda mais elevados se não houvesse essa imunidade? Ou a norma que deveria beneficiar os consumidores beneficia apenas os donos de editoras, gráficas e distribuidoras?
Mas graças ao boom tecnológico, hoje muito mais pessoas têm acesso a bens culturais e à informação. Embora arquivos digitais possam não substituir o prazer de manusear uma obra impressa, em compensação são inúmeros os saites onde você pode baixar todo tipo de publicação, nacional e estrangeira, algumas até antes de chegarem às bancas e livrarias, dentre inúmeras outras vantagens propiciadas por esse tipo de formato.
Além do acesso rápido e virtualmente gratuito, obras que não mais se encontram no mercado estão disponíveis para todos aqueles que têm acesso a um computador conectado à rede ― o que, infelizmente, ainda não é uma realidade para muitas pessoas.
No kotonette.com você pode baixar periódicos como História Viva, Época e as edições diárias do Estadão. Já o todo-poderoso AVAX, atualmente com um acervo de mais de quarenta mil edições, disponibiliza a versão eletrônica (em PDF) de alguns dos diários e algumas das revistas mais importantes do mundo (Time, Shonen Jump, The New Yorker, Billboard, Le Monde…), na íntegra, além de fascículos sobre ciências, história e arte, e quadrinhos novos e antigos, em diversos idiomas.
Um dos fóruns mais completos e populares é o F.A.R.R.A., que contém também filmes, documentários e animações, tudo muito bem organizado em tópicos e listas. Compilamos mais alguns linques no Ugh! (clique AQUI).
Como observou o escritor inglês Neil Gaiman, cujos trabalhos são maciçamente compartilhados pelos fãs, via internete, “o inimigo não é a ideia de que o livro esteja sendo lido de graça, e sim a de que ele não esteja sendo lido”.
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Um atento e culto leitor, que sempre colabora conosco com preciosas sugestões, entrou em contato para comentar a frase O MAGNETÍSMO REFERE-SE À ÍMÃ, reproduzida na postagem de 16/9, na qual apontávamos “TRÊS ERROS” de português.
Ele concorda que o acento agudo em “magnetísmo” e o grave antes de palavra masculina sejam aberrações gramaticais, mas pergunta onde estaria a terceira, no uso da ênclise. “Não há palavra atrativa, a despeito do ‘magnetismo’, para o fator próclise”, brincou.
O leitor tem razão. Para muitos gramáticos é possível optar tanto pela próclise (SE REFERE) tanto pela ênclise (REFERE-SE), motivo pelo qual não podemos afirmar que esta constitua “erro” no caso citado.
Nós mesmos já utilizamos ambas as formas, todavia a questão não é unânime e não podemos ignorar que o português usado no Brasil e o português de Portugal divergem em muitos pontos, sendo a colocação de pronomes clíticos ― me, te, se, o(s), a(s), lhe(s), nos e vos ― apenas mais um.
Valem as regras de eufonia e bom senso, ao que julgamos a ênclise mais adequada aos padrões lusitanos, salvo com verbos que iniciem orações, no imperativo afirmativo ou no gerúndio, desde que não precedido de “em” ou advérbio, termos que atraem o pronome.
Tags: Direito constitucional, Download, Erratum, Internete, Língua Portuguesa, Literatura, Pirataria

É verdade, Manoel: livros, no Brasil, são muito caros. Conheço gente que não lê mais por não ter dinheiro o bastante para adquirir livros.
Você também menciona que computadores não são ferramenta da maioria, o que também acaba atrapalhando o acesso à leitura.
A falta de dinheiro acaba impedindo a compra de livros e o acesso à internete. Se o leitor for de fato interessado, há as bibliotecas públicas, que podem dar a quem não tem dinheiro para comprar livros a possibilidade de ricas leituras. Para os que fazem questão da internete, as chamadas “lan houses” são uma possível alternativa.
Mas, claro, num mundo ideal, haveria a possibilidade de a maioria comprar livros ou computadores. E a despeito das mudanças nos hábitos de leitura – os “e-books” (http://www.barnesandnoble.com/nook/) (http://www.amazon.com/dp/B0015T963C/?tag=gocous-20&hvadid=4139327417&ref=pd_sl_7p2cs87ao_e) parecem ter vindo para ficar –, leitores não podem jamais deixar de existir.
Na boa, um saco essa “internete” e esse “saite”, isso tudo é patriotismo? Balela.
Concordo, porém, se o mundo já é tão globalizado e se existe uma biblioteca virtual completa e notícias, documentários etc, em tempo real; porquê não ter várias lan houses públicas em diversos pontos da cidade? Inclusive nas escolas, bibliotecas, banca de revistas e jornais, escolas de informática, escolas de lingua estrangeiras etc. Já que o governo incentiva as escolas particulares de todo segmento com isenção de impostos, porquê não subsidiá-los para que os menos favorecidos tenham acesso garantido e de verdade às informações de um modo geral e sem nenhum custo??
Prezados, desculpem-me pela demora em responder, mas esta postagem ficou numa espécie de “limbo virtual” nos últimos três dias devido à transferência do conteúdo do restante do portal para um novo banco de dados. A pane chegou a impedir a atualização do Patos Hoje na parte da manhã e só foi totalmente solucionada agora há pouco.
Lívio, acredito que sempre haverá leitores e, consequentemente, livros, embora com o tempo ambos (leitores e livros) possam vir a assumir características diferentes das que conhecemos. A propósito, você que curte a Rolling Stones já encontrou a revista no Avax?
Caro, Nilson, um grande obstáculo, dentre outros, é que não interessa aos políticos, com raras exceções, o acesso irrestrito do público à informação.
Caro Antonio, entenda esses neologismos como uma provocação. Não sou xenófobo mas você também não considera excessiva a quantidade de estrangeirismos em nosso idioma? Pode até ser um tipo de patriotismo, mas procuraremos aportuguesar tais termos sempre que não encontrarmos outro de sentido equivalente, limitando a grafia original às formas já consagradas ou cuja conversão soaria demasiado puritana, como e-mail, download (substantivo), show etc. É claro que algumas concessões são justificáveis. O anglicismo boom, por exemplo, pareceu-nos apropriado à idéia da ilustração acima. Abraços.
Acho que com as novas tecnologias,o acesso à informação ficou mais democrático,pois já não precisamos mais esperar para ouvir somente o que os grandes Meios de Comunicação de massa,tem a nos dizer.Por outro lado a A “Máquina Ideológica do Estado”funciona muito bem,fazendo com que ao invés de livros,as pessoas leiam revistas de fofocas,e ao invés de sites informativos, procuremos sites sobre os novos participantes do BBB10.Me desculpe Cazuza,mas “Ideologia,eu não quero uma pra viver”
Muito bem lembrado, Fábio. De fato, a maior possibilidade de acesso a leitura de qualidade não aumentou o interesse pela mesma, o que explica haver muito mais oferta de lixo, como o material que você citou. Assim como a democratização do conhecimento, a bestialização (o perigo apontado por Neil Gaiman) parece uma tendência irreversível. Abraço.