Arquivo de outubro de 2009

Imbróglios diplomáticos

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

 

aviao_lula

 

Quase três meses depois do golpe militar que derrubou o presidente Manuel Zelaya, Honduras voltou ao noticiário internacional: clandestinamente, Zelaya retornou ao país e se encastelou na embaixada brasileira, ora transformada em bunker do governo democrático.

Não bastasse isso, para alguns veículos (Globo e Zero Hora, por exemplo), a embaixada, então ameaçada de invasão, seria uma extensão do território brasileiro, e caso invadida pelos golpistas constituir-se-ia em atentado à soberania do Brasil.

Muito citou-se, ainda, a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, de 1961, sem informar, no entanto, se dela Brasil e Honduras seriam signatários, como se tal documento tivesse força vinculante universal e não dependesse de ratificação.

E será que nossa embaixada em Tegucigalpa é mesmo território brasileiro? Todo território é compreendido de ESPAÇO FÍSICO (a porção geográfica delimitada pela fronteira e o mar territorial aproximadamente 22 quilômetros a partir do litoral) e de ESPAÇO JURÍDICO (alcançado pela jurisdição de um Estado).

É o artigo 5° do Código Penal que define o território nacional por extensão (ou jurídico):

§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar.

Nossos políticos, para variar, tropeçaram na redação (voltaremos ao assunto em outra oportunidade), mas note que não há qualquer menção a embaixadas. Logo, estas não são competência da justiça criminal brasileira e, consequentemente, não são territórios brasileiros. Zelaya estaria, sim, em extensão do território brasileiro se estivesse a bordo de um avião da FAB, abrigado no modesto avião da presidência da República (foto) ou instalado em um navio da marinha brasileira, mesmo se ancorado em porto hondurenho.

Todas as embaixadas estrangeiras no Brasil, embora invioláveis, são consideradas território brasileiro. Em contrapartida, a embaixada brasileira em Honduras é TERRITÓRIO HONDURENHO.

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Afastado do meio desde 2004 (por razões óbvias, diriam os profanos), o radialista patense Lívio Soares está de volta, agora em um programa online independente: CAIU NA REDE.

A segunda edição já está disponível ― uma bela seleção musical pontuada com informações interessantes e enxutas, nos moldes do que o locutor fazia diariamente na Rádio Clube, onde trabalhou durante uma década e meia.

Semanalmente uma nova produção de trinta minutos deve ir ao ar, e você escolhe o melhor horário para ouvir. No mesmo espaço você encontra textos inéditos e outros trabalhos desse autor multifacetado, como flagrantes da fauna local (no bom sentido). Vale a pena conferir.

  

manoel@patoshoje.com.br

 

 

 

Iniciação literária

domingo, 4 de outubro de 2009

aventuras-grandiosas 

As coleções Aventuras Grandiosas e Clássicos Universais da editora Rideel adaptações  destinadas a crianças entre 4 e 8 anos  reproduzem, em menos de 30 páginas, obras-primas de Homero, Twain, Cervantes, Dante, Tolstoi e Swift, dentre outros gigantes da literatura mundial.

 

Diversamente do que ocorre em adaptações desse gênero, as histórias não sofrem descaracterizações. O espírito das mesmas é mantido, sendo uma boa opção também para adultos, uma oportunidade para toda a família desfrutar momentos profícuos e inesquecíveis.

 

Ao fim de cada livro há uma biografia do autor e um roteiro de leitura com questões que enriquecem o conteúdo e ajudam pais e professores a discutir diferentes pontos de vista com a criança e, juntos, se aprofundarem nos temas: se Basil Hallward tivesse destruído o quadro assim que acabou de pintá-lo, como ameaçou fazer, Dorian Gray teria morrido naquela hora? Frankenstein foi escrito quando a ciência estava fazendo muitas descobertas. Que preocupações ou medo os atuais avanços científicos inspiram?

 

Além de os títulos serem muito bem escolhidos, o formato encoraja as crianças a se interessarem pelos textos originais. De quebra, o significado dos termos menos conhecidos é explicado no rodapé das páginas, ajudando a criar o hábito de consultar dicionários.

 

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As coleções, claro, não estão isentas de falhas, embora estas, felizmente, não cheguem a comprometer o conjunto do trabalho. Na 2ª edição de Moby Dick, capítulo 7, “Em busca do grande monstro branco”, lê-se:

 

(…) No início, pensava que fosse uma lenda, mas Queequeg me contou muitas coisas sobre a baleia branca. Além de ser diferente dos outros cachalotes por ter a cabeça toda enrugada e a cor alva, acreditava-se que ela tinha o poder da AMBIGUIDADE.

 

Aparentemente, o tradutor quis dizer UBIQUIDADE. Ambíguo é algo indefinido, impreciso, que dá margem a dupla interpretação, não uma espécie de “poder”. Mas logo abaixo o glossário dá outro sentido à palavra destacada: “AMBIGUIDADE: estar em mais de um lugar ao mesmo tempo”.

 

Levei o fato ao conhecimento de um professor de literatura, que discordou tratar-se de um equívoco. Mergulhado na leitura de Moby Dick pela terceira vez, agora diretamente no idioma de Melville, o professor também acredita que o grande cachalote tivesse o poder da “ambiguidade”. Afinal, o bicho era peixe e mamífero ao mesmo tempo!

 

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De acordo com os números divulgados por alguns veículos de comunicação, a atual greve dos bancários superou todas as expectativas: no sétimo dia teria chegado a 27 ESTADOS.

  

Considerando que por enquanto o país tem apenas 26 estados e o Distrito Federal (portanto 27 UNIDADES FEDERATIVAS), a paralisação já é o maior movimento da história da categoria.

 

manoel@patoshoje.com.br