
Puffing ― a hipérbole (o exagero) na publicidade ― é uma técnica legítima para fixação de uma mensagem, desde que as características atribuídas aos produtos ou serviços apresentados sejam verdadeiras.
Contudo, nem sempre o que você compra ou contrata corresponde àquilo que eles anunciam.
Na campanha de lançamento da caixinha do leite longa vida Cemil afirmava-se que o dispositivo de abertura do produto era muito mais prático que o método tradicional (faca ou tesoura), do qual continuo me valendo, até por considerá-lo mais higiênico.
Não sei se o problema era com o picote do lacre ou com o material utilizado, mas o fato é que eu não conseguia abrir a caixinha com a mesma facilidade que era mostrada na televisão. Tampouco encontrei alguém que pudesse fazê-lo ― pelo contrário: descobri pessoas que não conseguiam abri-la de jeito algum (ao menos, não sem destruí-la antes). Será que a tampinha utilizada na publicidade é diferente? Ou o Edu Guedes toma leite com anabolizantes?
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Antes e depois dos desfiles de lingerie no programa de Luciana Gimenez, na Rede TV, dou uma espionada no Show do Milhão Jequiti, do SBT, uma das mais profícuas fontes de gafes da televisão brasileira.
Certa feita, foi questionado ao candidato o nome do filme cujo personagem usava uma máscara de hóquei. Comentando a questão, Silvio Santos disse achar que a resposta fosse O FANTASMA DA ÓPERA, lamentando não haver tal opção entre as quatro alternativas.
Tudo bem o apresentador nunca ter ouvido falar de Jason, personagem da série Sexta-feira 13, mas, convenhamos, o que a máscara usada pelo protagonista da obra máxima de Gaston Leroux tem a ver com HÓQUEI?!
Em outro equívoco tosco, o participante tinha de apontar entre quatro personagens de Walt Disney aquele que “foi criado sem som de voz”. Resposta: Pluto. A produção quis dizer FALA em lugar de “voz”, pois Pluto não é capaz de falar como o Pateta, apesar de ambos pertencerem à família dos canídeos. Mas é óbvio que Pluto pode emitir vozes, como latir, uivar, balsar, rosnar e ganir.
Dicionários trazem até um adendo intitulado VOZES DOS ANIMAIS. O Houaiss, por exemplo, registra vinte e duas vozes para o cachorro (na verdade, são catorze. O dicionário repetiu oito, apenas mudando a forma infinitiva para o particípio).
Sem falar que em praticamente todas as perguntas há erros de português. Será que a “TV dos Milionários” não tem dinheiro para contratar ao menos um professor de português?
Já quando se afirma que “o Canal de Suez se liga ao Mar Vermelho com o Mar Mediterrâneo” difícil saber se o problema é maior com o português ou com a geografia. O correto é que o Mar Vermelho e o Mediterrâneo são ligados pelo Canal de Suez, não este ao Mar Vermelho com o Mediterrâneo.
O telespectador fica sabendo, ainda, que “a tonelada é uma medida de peso”, que “esporádico é o mesmo que habitual” e que no folclóre [sic] brasileiro o boto “é um peixe que vira um bonito rapaz”.
Na verdade, tonelada é uma medida de MASSA (a unidade de peso é NEWTON, nome do formulador da lei da gravitação universal), esporádico é o mesmo que EVENTUAL (habitual é simplesmente um ANTÔNIMO!) e os botos não são peixes ― são MAMÍFEROS da ordem dos cetáceos (como as baleias e os golfinhos).
