Arquivo de agosto de 2009

Muito além de Tim Tones

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

globovsrecord

No Repórter Record da semana passada, Edir Macedo disse à sua subordinada sentir “grande alegria” com a denúncia recebida pela Justiça de São Paulo (na qual ele e mais nove sócios são acusados de formação de quadrilha e lavagem de capitais), pois sempre que é atacada a Reino de Deus fica mais forte: “Nóis somos como omelete, quanto mais bate mais a gente cresce”.

O dono da Record encerra a pseudoentrevista com uma gargalhada que contradiz a imagem de serenidade que se esforçava para imprimir, prometendo mais castigos contra os hereges: “Nóis vamos arrebentar, pode ter certeza! Vamos ARREBENTAR!”  – a Globo, é claro. É briga de rato grande.

Macedo não é santo, e Globo muito menos. Graças às acusações mútuas – que não foram desmentida nos respectivos telejornais – o grande público fica sabendo dos podres de uma e outra. A disputa é acirrada, sendo difícil saber qual é mais sujo, cínico e interesseiro.

Quando revela o esquema de desvio de dinheiro da Universal, a Globo, que entende de impérios midiáticos construídos com recursos ilegais, está preocupada com a concorrência desleal financiada pelo dízimo dos evangélicos.

A Record também não faz jornalismo. Estivesse interessada em informar, por que não noticiou antes as apropriações de imóveis públicos pela Globo e os favorecimentos ilícitos de que esta teria se beneficiado?

O objetivo é intimidar a rival, e até o Ministério Público, usando como arma o poder da mídia. É irônico – e sintomático – que jornalistas que durante anos fizeram sua reputação na Globo, como Celso Freitas, Marcos Hummel e Ana Paula Padrão, se prestem a isso.

manoel@patoshoje.com.br

Aprendizes de feiticeiro

sábado, 8 de agosto de 2009

iraque-ocupado

 

O processo de “libertação” do Iraque, iniciado pelos EUA há seis anos, já resultou em mais de 200 mil mortes. O pretexto para tomar o Estado iraquiano era que Saddan Hussein estocava armas químicas/nucleares, sem que qualquer prova fosse apresentada (as provas que surgiram foram de novas mentiras do Pentágono; é  o que fazem de melhor).

 

Mas quando a República Democrática Popular da Coreia, com mais de 1 milhão de homens prontos para a guerra, ostenta seu programa nuclear e constantemente desafia a comunidade internacional não assistimos a nenhuma reação militar à altura!

O que eles estão esperando para invadir a Coreia do Norte e assassinar o ditador King Jong-il e seus filhos, promovendo mais um banho de sangue no continente asiático?

Cadê os autodenominados policiais do mundo, por que não entram em ação agora que a ameaça é real e o feitiço se volta contra os feiticeiros?

Não pense que é porque a política do presidente Barack Obama seja outra. Os norte-coreanos realizam testes nucleares pelo menos desde 2006, em pleno regime dos Bush.

Será que a América e seus fantoches britânicos só têm coragem diante de inimigos esfarrapados — como os afegãos e o que restava do exército iraquiano? Ou a falta de motivação é devido à ausência de campos de petróleo na península norte-coreana esperando para serem saqueados?

manoel@patoshoje.com.br

Não furtarás

sábado, 1 de agosto de 2009

 

No mundo inteiro, é comum gente de todas as religiões desvirtuar a palavra e o nome de Deus, utilizando-os para fins nada divinos. Políticos empregam-nos em seus discursos para iludir e arrebanhar eleitores, empresários chegam a adotá-los em slogan para fidelizar clientela. Mas fato recentemente noticiado na capa do jornal Folha Patense é o cúmulo do sacrilégio:

“RAPAZ USA ORAÇÃO PARA ENTRAR E ROUBAR RESIDÊNCIAS”

Imediatamente, vem-nos à mente o flagrante de um bandido posto de joelhos ante o oratório, pedindo a santa proteção antes de partir para mais um dia de delinquências e iniquidades.

O subtítulo, porém, logo esclarece: “Ele distraía as vítimas com pregação”. Soberboso da própria criatividade, o redator repetiu a manchete na página interna.

Os verbos entrar e roubar, todavia, têm regências diferentes. No caso, o primeiro é transitivo indireto (preposicionado); o segundo, transitivo direto (sem preposição). Se o rapaz entrou em residências, onde está a preposição (em) que liga o verbo (entrar) a seu objeto (residências)?

A frase que consta no jornal é um desatino idêntico a “rapaz usa oração para roubar e ENTRAR RESIDÊNCIAS”, forma admissível apenas em textos literários.

De acordo com o constante no corpo da reportagem, a manchete ainda traz outra incorreção (a pontuação é um caso à parte; na Folha, você sabe, eles não têm noção alguma de como usar pontos e vírgulas corretamente):

 

Conversando levava as vítimas para um cômodo da casa e as distraía enquanto isso, a companheira tirava os objetos menores e fáceis de serem carregados.

 

Sucede que o crime de ROUBO se configura quando o autor subtrai um bem mediante violência física ou ameaça grave contra as vítimas (Código Penal, art. 157), o que não se verifica na ação do falso pregador.

 

A norma penal condizente ao fato noticiado (a denominada subsunção) é o artigo 155, §4º, incisos II e IV: FURTO QUALIFICADO (subtração de bem mediante fraude, com a participação de mais de uma pessoa).

 

Uma forma simples e correta para a manchete da Folha Amadorense seria FALSO PREGADOR FURTAVA RESIDÊNCIAS. Que o mesmo entrava nas residências já está implícito, sendo desnecessário dizê-lo. 

 

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A expressão “DENÚNCIA ANÔNIMA”, pela qual a mídia reporta ao episódio envolvendo o deputado estadual Elmiro Nascimento, não é apropriada.

Tecnicamente, DENÚNCIA é a acusação oferecida pelo Ministério Público nos crimes de ação penal pública. Jamais será anônima. Nos crimes de ação penal privada, a peça de acusação se chama QUEIXA-CRIME, na qual o ofendido (querelante) também deve estar plenamente identificado.

Nesta semana, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Patos de Minas (CDL) abriu espaço para Elmiro esclarecer a acusação ―  contratações indevidas de assessores pagos pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais.  A entidade realiza reuniões públicas todas as terças-feiras, em sua sede.

Na oportunidade, Elmiro se disse agradecido pelo convite e afirmou ser normal ter assessores parlamentares trabalhando em Patos de Minas, sua base de atuação, e os que porventura prestam serviço à sua empresa são registrados de acordo com a legislação trabalhista, que permite a contratação de uma pessoa por vários empregadores.

O deputado se diz vítima de “perseguição política” e acusou, sem nominar, um site patense noticioso, que estaria denegrindo sua imagem com informações inverídicas. Ao colunista o deputado disse que se referia ao Patos Hoje.

O jornalista Mauricio Rocha, responsável pelo portal, não estava presente à reunião, mas negou haver qualquer interesse de sua parte em denegrir a imagem de alguém. A pedido do deputado, Mauricio chegou a retirar do site reprodução do jornal Estado de Minas sobre a suposta irregularidade na contratação dos assessores. 

manoel@patoshoje.com.br